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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Você acredita em milhas? E em Papai Noel, no Coelhinho da Páscoa e na Justiça para os políticos brasileiros também?

Se a resposta ao título foi SIM, só tenho a dizer: Ô dó!
Eu também acreditei!

João Monlevade - casa de pai mais mãe - 23 de Dezembro de 2012

Fui à loja da TAM na Praça Marília de Dirceu (BH) duas vezes e, adivinha? Claro que não dava para usar as milhas para chegar à terra do sol nascente. Lembram da tabelinha de milhas necessárias para chegar até lá? Vide post anterior. No trecho em que, de acordo com a tabela do site eu precisaria de umas 30 a 40 mil milhas - por exemplo, África -> Ásia, na loja me explicaram que aquilo era "A PARTIR DE"... Assim, na realidade, eu precisaria de umas 85.000 milhas para cada perna!!!!! Perna é cada trecho da viagem: só a ida ou só a volta. Minhas milhas então, não valeriam de nada.

Desolada e desiludia, mas ainda com aquela incontrolável vontade de viajar e a boa esperança correndo nas veias, resolvi tentar um plano B, que já tinha sido sugerido por André - outro totalmente animado para rodar por aí. Sentei ao computador para pesquisar preços de passagens para a Ásia: tudo MUITO caro: de uns R$5.000,00 a R$12.000,00 por pessoa, ida e volta, classe econômica. Comecei a procurar uns destinos diferentes do nosso roteiro inicial, que não incluía Austrália. Acabei achando um vôo da TAM para a Austrália operado pela LAN, pela relativa bagatella de R$3.500,00 - escala em Santiago do Chile. Eu e Dé conversamos e liguei para o querido Cadu - My Tour*, que sempre providencia as passagens com toda disposição e atenção do mundo! Esse vôo da LAN só tinha um problema: ele saia muito muito cedo de SP, então teríamos que ir um dia antes e pernoitar lá. Além do mais, a escala em Santigo do Chile era de milhões de horas, mas não o suficiente para uma volta na cidade. Mesmo assim eu estava disposta, até que o Cadu deu a luz! Por um pouquinho a mais, vamos de South African, com saída de BH, sem dormir em SP e com uma curta escala lá, mais uma escala na África do Sul. Claro que não resisti e pus aí, sem acréscimos financeiros, um stop over em Joanesburgo. Stop over é quando você para numa escala, desembarca e fica um ou mais dias no local antes de continuar a viagem até o destino final. A maioria das empresas permite que você faça isso sem custos adicionais, mas tem que ser programado com antecedência. A paradinha não vale para bilhetes emitidos através de milhas.

Para conseguir a façanha de utilizar as milhas na Ásia, já que desisti de usar para chegar até lá, eu e André fizemos a seguinte ginástica: ele emitiu o bilhete dele Smiles de Narita (Japão) para Hong Kong (China) no dia 11/03, classe executiva. Pelo menos era "baratinho": 18.500 milhas (o vôo pela empresa Delta, se pago, na classe econômica, custaria "módicos" R$4.094,00!!!!!! mais taxas). Só tem um problema: no vôo, mesmo nos dias um pouco antes e um pouco depois, só tinha uma vaga para viajantes milheiros - a que ele adquiriu. Assim, ou eu viajo dois dias antes dele ou pago esse dinheiro aí (mais caro que a passagem que pagamos Brasil - Sydney ida e volta).

Com toda a paciência do universo, consegui emitir o bilhete no mesmo vôo, classe econômica (12.500 milhas) para dois dias antes - frio na barriga, porque isso implica chegar sozinha a Tóquio, uma cidadezinha que não fala inglês e que tem 39 milhões de habitantes (incluindo os arredores). Isso dá umas dezesseis vezes a população de Belo Horizonte. Recebi o email de confirmação e tudo mais, mas o site da Smiles deu problema na hora de confirmar o pagamento da taxa. Quando se emite um bilhete com milhas, paga-se a taxa de emissão que, no caso, é de R$62,00, mas já vi até de R$214,00! Bom, neste exato momento estou na terceira ligação para a Smiles (o número que eles forneceram no site quando deu problema estava desatualizado). Estou há 25 minutos com aquela musiquinha infernal na orelha e nada... Ah, a ligação é 0300.

Vamos viajar separados nesse trecho? Talvez... Mas como a taxa é baratinha e você perde apenas R$80,00 se cancelar e nenhuma milha, resolvi garantir.

Os trechos Hong Kong - Seoul e Seoul - Sydney eu consegui emitir na loja da TAM. Paguei caro 90.000 milhas (ao todo, meus bilhetes e do André), mas não tive problemas.

Ah, eu já ia me esquecendo de um detalhe bem importante: quando se procura bilhetes por milhas no site da Smiles, para complicar a vida do coitado do viajante esperançoso, tem que se fazer a busca dia-a-dia: não tem como você verificar se há algum vôo de milha disponível no período. Um macete é buscar disponibilidade de vôos para uma pessoa, caso não consiga para duas: às vezes você consegue achar, assim, dois lugares no mesmo vôo, mas em classes diferentes (pode ser melhor do que desembolsar a passagem). Além do mais, quando se busca um trecho qualquer, ele apenas diz que a busca não gerou resultados naquela data, mas isso pode significar que não tem assento ou simplesmente que a Smiles não opera aquele trecho. Acontece que uma coisa é bem diferente da outra: porque se é uma questão de disponibilidade de assentos, pode ser que em outro dia ou hora você consiga. Caso contrário, vai ficar gastando a sua beleza e precioso tempo em vão na frente do computador. Para saber se o trecho é operado ou não, só pelo famoso telefone aí.

Lição do dia: quer viajar pra bem longe? Ou com MUITO dinheiro ou com algum dinheiro a paciência de Jó, boa vontade de nem sei o quê. Ai ai...

Aos amigos que acompanham o Blog porque são amigos e não pelo interesse nas dicas de viagem, peço licença pelas chatices da novela Providenciar Passagens - mas é que esse tipo de post costuma ajudar outras pessoas no seu planejamento.

Obs: escrevi este post e, depois de uns 40 minutos, ainda estava na espera...

* site da My Tour: http://www.mytur.com.br/ - fale com o Cadu e diga que Kk recomendou!

domingo, 6 de janeiro de 2013

Outras voltas

Belo Horizonte, 21 de Dezembro de 2012

Acho que é tendência natural do ser humano acumular coisas durante a vida: tem gente que acumula dinheiro, cacarecos, livros, gordurinhas, histórias e uma infinidade de itens. Minha maior pretensão é ser do tipo que acumula milhas. Não milhas no cartão de fidelidade ou ganhas no cartão de crédito. Milhas viajadas mesmo.

Por isso... já estou praticamente "com o pé na estrada, qualquer dia a gente se vê, sei que nada será como antes, amanhã... Que notícias me dão dos amigos? Que notícias me dão de você?".

Roteiro 2013: África do Sul/ Austrália/ Singapura/ Koréia do Sul/ China/ Japão/ Austrália/ África do Sul e casa. :)

Desta vez, a viagem começou assim: fiquei sabendo de um congresso da minha área de trabalho que acontecerá em Hong Kong em março do ano que vem. Eu já tinha umas milhazinhas (afinal, já tinha dado a volta ao mundo em 2012 e gastei TUDO - até chicletes no cartão de crédito no último ano). Pensei: umas 120.000 milhas Star Alliance (TAM) mais umas 18.000 Smiles (Gol) - já deve dar para brincar. Além do mais, meu companheiro de aventuras também tem o bolso gordinho de milhas, mais que o meu, aliás. E fui sonhando. Fui sonhando (e com restrição orçamentária) uma vez que fiz a opção de desacelerar no trabalho no último ano.

Mas, "desilusão, desilusão, danço eu, dança você na dança da (...)" pontuação. Não é novidade para ninguém que as empresas aéreas dificultam até onde podem que você utilize seus pontinhos suados que elas oferecem de boca cheia. Começou a novela.

Primeiro entrave: minhas milhas são predominantemente Star Alliance e as do Dé Smiles. Então, o negócio seria viajar separado e nos encontrarmos na Ásia. Ok, mas... viajar sozinha é fantástico, quando você está viajando sozinha, né? Viajar sozinha estando acompanhada, ainda mais num vôo que entre escalas e cia limitada dura mais de um dia é dureza! Tivemos a idéia: a gente poderia emitir dois bilhetes de ida e de volta de BH ou SP até a Europa ou África (com minhas sonhadas milhas) e de lá, mais dois de ida e de volta até qualquer lugar da Ásia. Era a solução para a solidão! Fui namorar o site da TAM Fidelidade. Lá tem uma tabela* com os pontos necessários nas alta e baixa temporadas para todos os destinos da própria TAM ou das empresas parceiras. Era felicidade demais: para ir até a Ásia Oriental em baixa temporada seriam necessários, em classe econômica, por trecho, por pessoa: 50.000 pontos. Dava e sobrava. Dentro do nosso plano de viajarmos juntos, Brasil/ África do Sul: 15.000 pontos (todos os valores serão por trecho/ pessoa na classe econômica) ou Brasil/ Europa: 30.000.

Fui à loja da TAM, uma vez que (diferente da Smiles), não se consegue emitir bilhete das empresas chamadas parceiras (todas as outras da Star Alliance que não são da TAM) pelo site, só na loja mesmo. Em BH, tem uma na Praça Marília de Dirceu.

Começou aí o trabalho árduo...


* como nas postagens anteriores, para facilitar a leitura e ajudar um pouquinho quem também gosta de viajar, vou colocar os links e algumas sugestões na forma de rodapé de página.

Tabela de pontos necessários poir classe para viagens internacionais TAM/ STAR ALLIANCE
. baixa estação: http://www.tam.com.br/b2c/vgn/img/fidelidade/pt_passagensPremios_baixa_estacao_pos01072011.pdf
. alta estação:
http://www.tam.com.br/b2c/vgn/img/fidelidade/Resgate-Pt-AltaEstacao-21112011.pdf

Ásia: here we go!

Queridos,

O Blog está na ativa outra vez. Agora com as dores e os prazeres de uma viagem à Ásia- dos preparativos até o retorno!

Here we go!


terça-feira, 20 de março de 2012

Kk: Goreme, Turkia, 21 de março de 2012 ou Quando uma imagem vale mais que mil palavras...


Queridos, fiquei muito feliz em vê-los por aqui durante esta viagem! Cada comentário, cada visualização... Foram muitas, as deliciosas e constantes presenças, como Nathayl, Ana Paula, Fábio, Carol e da Cla (com as melhores dicas do mundo! :-)

Peço desculpas pela irregularidade das últimas postagens e, a partir de hoje, vou substituir os escritos pelas imagens. Há quem acredite que uma imagem valha mais que mil palavras... Eu sou do time dos amantes das palavras. Mas é que a companhia física de um amigo, de um amor, valem ainda mais que todas as palavras escritas do mundo. Ainda mais se são pessoas queridas que topam a empreitada de encarar uma grande viagem com você, para locais e culturas completamente diferentes.

Assim... minha viagem de viajar nos lugares e na minha relação com eles e comigo mesma e o registro por extenso) aqui, chegou ao fim (mas não se preocupem porque as meninas, principalmente os dedinhos nervosos da Hell escrevendo tudo no iPhone, continuarão postando.

Vou postar as imagens e viajar nas pessoas que estão ao meu lado e na minha relação com elas. Uma vez, lendo sobre o amor (livro Eros e Pathos - Aldo Carotenuto - acho que, sociólogo italiano) deparei-me com a afirmação de que nos conhecemos de verdade quando estamos em íntima relação com o outro, quando passa a fase inicial de encantamento e nos deparamos com a o real desse outro... Viagens, enfim!

Continuemos?

Beijos púdicos da Turkia!
Kk

Ps: entre o último post meu e este, passei pelo Nepal (Kathmandu, na cordilheira do Himalaia, incluindo ver nascer do sol de longe, passando pela pontinha do Everest, escala na Thailândia (Bangkok), Istambul (Turkia) e ainda estou neste país, na cidade de Goreme, num hotel dentro da pedra! :)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Kk: UlaanBaatar (Mongólia), 03 e 04 de março de 2012


Parabéns pra Lêle, nesta data querida! Aehhhhh! Aniversário da querida Lelê no Brasil e é óbvio que fiz questão de ligar de madrugada e acordá-la só porque cheguei no dia 03 primeiro por estar do lado de cá.

Viagem Pequim/ UlaanBaatar tranquilinha. Fomos para o aeroporto de Pequim de metrô e trem, muito eficientes e fáceis. Deixei os livros da Índia no guarda-volumes do aeroporto porque ainda não consegui postar. O vôo era de umas duas horas só e fiquei com a janelinha fechada para facilitar a leitura no iPad. Quando esolvi dar uma espiadinha lá fora, a olhada já valeu a viagem ao lugar para depois de onde Judas perdeu as botas. A princípio, achei que estava sobrevoando as nuvens, mas ao passarem umas coisas pretinhas lá embaixo, desconfiei estar equivocada. Estava sobre o deserto de Gobi, completamente congelado- uma das paisagens mais lindas que já vi em toda a minha vida. Eram intermináveis montanhas, completamente brancas, muito ocasionalmente entrecortadas por uma estradinha preta.

Chegamos já completamente vestidas para o frio, que estava "bem brando": - 11oC. Fomos pegas no aeroporto pela gentil proprietária do Hostel LG Guest House. A paisagem natural linda, mas a cidade não pareceu muito bonita: ruas sujas, construções velhas e bem quadradas, sugerindo a antiga URSS, à qual a Mongólia pertenceu após domínio chinês. As montanhas... indescritíveis. Passamos por bovinos, todos de grande porte e com abundante pêlo. Nossa motorista nos informou que aproximadamente metade da população vive na capital (mais ou menos um milhão de habitantes). A principal atividade econômica são duas usinas de energia elétrica e, a base da alimentação, carne bovina e de carneiro. UlaanBaatar fica a uns 1.600m acima do mar e o ar é visivelmente poluído e seco.

A vizinhança do Hostel pareceu estranha, rua sem calçamento, muito lixo no chão e uma "casa de shows" logo ao lado. O cheiro também era bem estranho... parecido com o de gordura de carne cozinhando. As acomodações eram bem simples, mas grandes, limpas, confortáveis e quentinhas. Ficamos numa suíte com 02 beliches.

Logo de imediato, saímos para tentar comprar as passagens do trem. A viagem de 30 horas até Pequim seria no dia seguinte por dois motivos: só tem trem uma vez por semana e temíamos não tolerar o frio da cidade. A primeira voltinha na rua não foi das mais fáceis por causa do vento. Helen achou que ia perder a ponta do nariz, Cássia, as costas e eu, os dedos. Andamos no sentido errado e, ao acharmos o posto de venda dos tickets, já estava fechado. Vimos alguns bêbados. Apesar de quase ninguém falar inglês, a cordialidade é infinitamente maior que em Pequim e, de alguma forma, a comunicação se estabeleceu de maneira mais fácil. Pedimos informação na rua e fizemos uma pequena compra no supermercado sem o menor problema. A moeda local é o Tugriks e $785,70 dela eqüivalem a um real. Nossa compra ficou em $17,00 reais com: 03 águas de 1,5L, 03 barras grandes de chocolate com amendoim, uma caixa de suco de cramberry, 01 lata grande de cerveja e 03 cup noodles (ninguém estava animado a sair de noite para comer. Se antes de anoitecer já estava aquele frio...).

No final das contas, foi ótimo não irmos de trem porque ganhamos dois dias para visitar a cidade. Apesar do frio do primeiro dia, as roupas estavam bem adequadas. No dia seguinte (04/03), tomamos coragem e encaramos o clima. Tudo bem que deixamos para fazer isso a partir de meio dia, quando a temperatura estava mais amena. O café da manhã foi um dos melhores até hoje: café, pães, geléia, Nutela, margarina e ovo quentinho. Visitamos as principais atracões turísticas da cidade: um grande templo budista e uma praça. O frio nas mãos (eu estava com luva de couro por baixo e uma luva bem grossa da Columbia por cima) foi limitante. Impossível manejar a câmera fotográfica e, de tempos em tempos, entrávamos em alguma loja porque a temperatura fora era simplesmente impraticável para os dedos. Os meus trajes eram: um par de meias grossas, outro par grosso, que vai até o joelho, calça de segunda pele, outra calça peluda por dentro, blusa fininha com fio ionizado, segunda pele quente, blusa de Fleece, casaco até o joelho com recheio de pena e forro de pelinhos, com 02 capuzes incluídos, um de lã, cachecol e um gorro de algodão por debaixo dos capuzes.

Visitamos um lindo complexo de templos budistas e a praça principal da cidade. As pessoas na rua são lindas, principalmente as mulheres: elegantes, muitas maquiadas. Algumas vestidas em trajes típicos (mais os idosos, crianças e homens). No comércio, uma infinidade de lojas de eletrônicos. A maioria dos lugares é tipo entrada de banco no Brasil: uma porta com uma micro ante-sala e depois o estabelecimento propriamente dito. As avenidas são amplas e o tráfico, intenso. Sobrevivemos até melhor que esperávamos no frio: ficamos na rua até umas 19:00. Tudo bem que cheguei em casa com os cílios congelados...

Tomamos nossa cervejinha mongol (não é muito amarga) com amendoins de entrada e partimos pro amigo cup noodles. Hora de por a vida digital em dia e dormir.

Fotos (na ordem desordenada que o Blogger põe e não desta legenda):
- o gelinho nos meus cílios e na minha máscara.
- montanhas da Mongólia.
- nossa vizinhança/ visão da janela.
- café da manhã no Hostel
- meninas na porta do Hostel, na hora de ir embora
- compras do mercado

DICAS: roupas para o frio - nenhuma de nós nunca esquiou nem morou em países gelados, apesar de já termos visitado lugares com neve antes. Lemos muito a respeito de lugares assim e conversarmos com nativos do Canadá e de outros picolés por aí. As nossas dicas se baseiam nisso e na nossa experiência (pegamos até uns - 20oC). Ninguém economizou nos preparativos da viagem: eu comprei coisas em BH, como saco de dormir para zero graus) e deixamos as roupas para comprar onde se entende disso: fui no outlet da North Face de Santiago do Chile e, as meninas, no outlet da Columbia em Nova York. Comprarmos segundas peles, meias especiais, casacos de Fleece, impermeáveis e corta vento, além de luvas e gorros. No meu caso, usei tudo junto mas, o que fez diferença mesmo foi o casacão que comprei em Beijing (até agora não sei se foi em loja de departamento ou em algo tipo um Feira Shop), longo, talvez recheado de pena - tenho minhas dúvidas. Ele é bem grossinho, comprido (essencial para não resfriar a retaguarda) e tem 2 capuzes. Fazendo parceria na compra chinesa, uma calça que parece saruel, mas com pelinhos por dentro, que usei por cima da segunda pele. A calça e o casaco custaram R$ 60,00 cada. As luvas não foram suficientes (usei uma de couro por baixo e a da Columbia Omni-shield). Então, sugiro ter uma roupa de frio para chegar ao país e ir até a primeira loja local de agasalhos.

terça-feira, 13 de março de 2012

Kk: Beijing, 02 de março de 2012


Hoje acabamos saindo tarde do Hostel. Quase na hora do almoço. É que a gente tinha que organizar um pouco as coisas da bagagem, ver umas coisas de internet e tudo mais.

A primeira tarefa do dia foi tentar comprar a passagem de trem de volta da Mongólia (vamos para lá de avião amanhã). Andar de metrô aqui é bem fácil por ser bem sinalizado, além de ter escritos, também, no alfabeto romano. Tentamos comprar o ticket pela internet mas, o site não oferecia a opção de e-ticket e não tínhamos tempo para aguardar o delivery. O trem é operado por uma empresa russa, a Real Russian e o trechinho que queremos é o fim da transiberiana, o que dá umas 30 horas de viagem. Então, o plano inicial é chegar em UlaanBaatar amanhã à tarde e voltar no dia seguinte, de trem. Assim rapidinho mesmo porque está uns - 20oC (MENOS vinte, mesmo) e o nosso sangue tropical pode não sobreviver muito tempo por lá.

Tentamos, obviamente, na estação central de trem de Beijing. Bem grande, com apenas uma janelinha que fala (mais ou menos inglês). A moça disse que não era lá e sim em algum lugar de fora, na rua da frente, há uns 5 min a pé. Fomos demos uma volta na tal rua, nas laterais, no quarteirão. Nada. Achamos um Hostel com gente que falava inglês. Ninguém sabia. Achamos um posto internacional dos correios. Ninguém falava inglês. Com muito custo e um frio danado (0oC com vento e nevezinha de leve), achamos o tal lugar e um cartazinho dizendo que estava provisoriamente em outro local, que também não encontramos. Pedimos ajuda de uns guardinhas que não falavam inglês, mas viram a coto do cartaz e apontaram numa direção. Por fim, tentamos ligar e... adivinha? Não vendia o bilhete. Restou-nos deixar para comprar na Mongólia.

Com a tarde toda perdida e muito muito (Helén achou que ia perder a ponta do nariz e eu os dedos das mãos - apesar das megas luvas pra esse tempo mesmo). Acabamos nos refugiando num lugar que até agora não sabemos se era um shoppinhg ou loja de departamentos. Foi bom que acabei comprando mais uma calça, aveludada por dentro e um casacão, com dois gorros embutidos. Eu estava meio com medo dos menos 20... Passado o desconforto inicial da sensação de analfabetismo por não conseguirmos ler nada, misturada a uma sensação de deficiência de fala (quase um mutismo), começamos a nos virar bem na mímica, que passou a ser o meio de interação predominante para fins comerciais.

Num dos lugares mais populosos do mundo, imagine como é o metrô nos horários de pico. Isso também fez parte da nossa aventura e acabamos voltando para o Hostel de noitinha. Encontrarmos, na recepção, mais um brasileiro perdido e a prosa rendeu madrugada fora, com direito a cup noodles e a uma cerveja chinesa (que ficou mais para apreciação da Helenzita).

DICA: o trem da Mongólia para a China é operado por uma empresa que eu penso ser russa (mas é registrada na Inglaterra), a Real Russia. Esse trecho é o fim da transiberiana. Você pode comprar o bilhete pela internet, mas demora um tempo para chegar ou você tem que pegar em alguns postos (na Rússia). Há, ainda, um e-ticket. Com ele você só precisa do passaporte para embarcar. Não conseguimos comprar esse, não aparecia a opção no site. O trem é uma vez por semana e, na primeira e segunda classe, se você compra de 2 a 4 bilhetes, pode fechar a cabine.
O site é:
http://www.realrussia.co.uk/

segunda-feira, 12 de março de 2012

Kk: Beijing, 01 de março de 2012

Lembrando aos navegantes: devido a restrições governísticas locais, não consigo acessar o blog, YouTube ou facebook. Consigo postar indiretamente, através de um aplicativo para o iPad, mas não consigo ver os comentários. Também posto algumas fotos no facebook usando o mesmo recurso...


Depois de um dia e meio de viagem, cheguei a Pequim. Transcorreu tudo muito bem na vinda e a única coisa que não foi lá essas coisas foi o vôo da India Airways. Se tem um item ausente nos aviões deles, com certeza esse item é o ar condicionado. A aeronave estava muito abafada, além de suja. As poltronas, as mesinhas de refeição... Eca!

Cheguei à China com atraso de 2 horas e, apesar de parecer que eu estava carregando o mundo nas costas, a mochila continua brilhando na bagagem de mão. Comprei uns 6 livros de Yoga no Ashram muitíssimo baratinhos por causa do câmbio e ganhei muitas coisas (o Ashram dá presentes tipo livros, CD e cachecol). Tudo isso pesou bastante e fui para o aeroporto já com espírito preparado para despachar a bagagem, imaginando um grande rigor da Air China com o peso. No check in, fiz cara de quem carregava uma pluma e soltei "just carry on luggage" (apenas bagagem de mão) e não é que colou? Não postei as coisas na Índia porque a biboquinha com placa de correio não tinha caixas para eu as embalar.

O aeroporto de Pequim venceu até agora em todos os aspectos: limpeza, organização, rapidez, tecnologia, tamanho... Fiquei muito admirada, ainda mais sendo alguém desembarcando da India, onde o cenário é tão o oposto. A quantidade de água dentro do vaso sanitário era maior do que a que gastava num banho inteiro no Ashram. Já na saída do desembarque internacional as meninas (Hélen e Cássia) encontraram-me e agora a viagem terá outra cor! Fiquei muito feliz de estarmos juntas! Almoçamos por lá mesmo e o tão popular comentário de que quase ninguém fala inglês por aqui já deu seus primeiros sinais de veracidade: no restaurante do aeroporto INTERNACIONAL, tivemos que pedir os pratos e a conta gesticulando. Resolvemos pela economia e por um certo grau de aventura e encaremos trem + metrô para o Hostel. Não foi muito difícil porque já tínhamos as coordenadas e os nomes das estações estavam escritas, também, no nosso alfabeto. Chegamos direitinho ao Hostel* e fomos surpreendidas: a coisa era um ex-Hostel, em obras. O moço que nos atendeu (desta vez, em inglês) explicou que o governo resolveu fazer uma reforma lá. Com isso, todas as reservas haviam sido remanejadas para outro Hostel. Ele disse ter avisado por email. Mas havia um pequeno detalhe: a reserva estava em meu nome e há 15 dias não tenho acesso a internet (hoje, inclusive, continuo sem). Lá fomos nos pro outro lugar indicado.

Como iria anoitecer cedo, estava muito frio (uns zero graus), o peso das bagagens e a vontade de ir ao banheiro já estavam incomodando e caía uma garoinha, optamos por tomar um táxi. Tínhamos um cartão com endereço e mapa da nova hospedagem e um escrito em chinês "por favor, leve-me a este endereço". Paramos um taxi e ele se recusou!! Pelos gestos dele, supus que o motivo da negativa era a curta distância da corrida. Voltamos pro metrô, passamos as mochilas pelo RX (no metrô aqui é assim: tipo aeroporto) e seguimos. Acontece que, já dentro do vagão, vimos que a cor da estação que queríamos estava verde e todas as subseqüentes também*. Pensamos estar indo na direção errada. Descemos. Voltamos. Percebemos que a primeira direção era a correta. Descemos e voltamos de novo. Isso tudo no pico do movimento de um dos lugares mais populosos da face da terra e nós três de mochilão. Baldeamos para a outra linha e chegamos, enfim.

O Hostel é bem bonitinho e as camas muito confortáveis. O quarto é de 3 beliches e misto (além de nós tem uma moça não me recordo de onde e um australiano). Uma pena, mas aqui não há aqueles tours gratuitos ds outrs hostels. O café da manhã também não está incluído. Saímos ara comer e... adivinhe!! Comunicação impossível. O restaurante em que estávamos até tinha um menu mais ou menos em inglês, mas sem o tamanho e o preço das coisas e um outro com fotos, mas escrito em chinês. Escolhemos tentando usar os dois. O problemas são as restrições: Cássia não pode com camarão e eu, que já não comia carne vermelha, estou parando com aves. Conclusão: a minha bebida foi leite de côco e a das meninas, um pet de quase dois litros de suco de laranja - tudo meio quente. O prato foi uns muitos litros de sopa que supomos ser de tofu, ovo, alga, bambu e preferimos comer sem ficar pensando nos demais ingredientes. Cássia praticamente nem comeu. Depois, pedimos uns palitinhos fritos (achamos que de alguma massinha) muito engordurados, envoltos numa calda doce.

Comemos. Pedimos a conta gesticulando e a moça escreveu os números num pedacinho de papel: uns ¥55,00 (um pouco mais de 11,00 (AO TODO). Como nenhuma de nós lembrava de ter lido algo sobre gorjeta, deixamos uns 10%. A garçonete não entendeu, ficou vermelhinha, levou o dinheiro para o caixa e eles vieram atrás da gente já na porta da rua para devolver. Acho que, sem querer, cometemos uma gafe. Chamou a atenção o tanto que as pessoas aqui fumam durante a refeição e, ainda por cima, dentro do restaurante e jogam as cinzas, com os cigarros e tudo mais n chão! No caminho de volta, paramos numa loja de conveniência. Compramos batatas, água (parecia ser), castanhas, floquinhos de côco e chocolate. A prateleira de castanhas e coisas tipo chips tinha umas peculiaridades como dedos de frango com unha e tudo! :-P Deu até calafrio de ver.

Já estou com saudades do Ashram com a sua comidinha e das celebrações noturnas. Senti muita falta mesmo dos cantos com a energia que trazem. Tenho livro com alguns cantos, mas como não sei a pronúncia e o quarto é coletivo, não vai rolar. Não vejo a hora de conectar à internet e baixar uns.

Dicas:
* o primeiro Hostel (o da reforma) é o Peking Youth Hostel. O segundo, o que ficamos ao final das contas, foi o Peking Yard Hostel
- ir de trem e metrô para a cidade foi fácil e bem em conta: ¥25,00 o primeiro e ¥2,00 o segundo. Você compra o ticket e pega o trem dentro do aeroporto mesmo e com isso evita os congestionamentos. Acho que gastamos umas meia hora na viagem. Na última estação do trem, você já compra o cartão do metrô e embarca. Nas máquinas dos bilhetes, há opção de menu em inglês (algumas aceitam até notas de ¥100,00 e cartões/ tem caixa eletrônico do HSBC no aeroporto). Você ainda (isso não é em toda estação) pode comprar o bilhete no caixa - não precisar falar nenhuma língua: mostre com o dedo o número de bilhetes que você quer para a atendente e o valor aparece na máquina registradora do caixa.
- não jogue fora o cartão de embarque do metrô porque você precisa passá-lo na catraca para sair.

Fotos: a ordem que serão publicadas dependerá do humor do blog hoje.
. Trem de transporte entre os terminais do aeroporto de Pequim
. Coisas da prateleira de "chips" da China. Sim, isso são pedaços de frango meio crus. Sim, eles comem assim e tem, ainda, pacotinhos de patas de galinha.
. Hall do primeiro Hostel da China
. Primeiro de jantar de Pequim. Sopa de... é... ainda não sabemos!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Kk: Munger, Índia, 22 de Fevereiro de 2012


Os dias estão voando e nem parece que uma semana aqui já se foi. Hoje, fiquei triste pela primeira vez na viagem. Eu estava fazendo o meu cleanning seva (o trabalho matinal de limpeza) - aliás, o trabalho solitário ou em silêncio é ótimo para reflexão - e me lembrei de um banheiro que me é muito familiar no Brasil. Aqui, pede-se que a descarga do sanitário seja acionada quando "estritamente necessário". Para as outras situações, como "número 1", é solicitado o uso de uma canequinha de água 2 vezes. Há uma torneira em cada portinha do banheiro. Há ainda, um rodinho para secar o chão e adjacências após o uso da caneca. A lixeira para os papéis higiênicos ou jornais utilizados como tal, é uma só e fica do lado de fora. Mesmo assim, o banheiro está sempre infinitamente mais limpo do que de muito ligar em Belo Horizonte freqüentado por uma elite instruída e onde há funcionários o dia inteiro tentando, em vão, manter o ambiente apresentável. Isso me doeu muito. Um dos grandes princípios do Ashram é servir desinteressadamente e isso está muito longe de ser a realidade de muitos ambientes onde vivo.

Alegrou-me lembrar das pessoas que praticam o servir com muito amor e dedicação, como meus pais, as mulheres da minha família e algumas outros queridos ou conhecidos como Adrinez, Carol e Neto.

Dica do dia: The Seven Spiritual Laws of Yoga - a pratical guide to healing body, mind and spirit. Ed. Wiley India, 2007, Deepak Chopra e David Simon. Eu tenho e posso emprestar quando chegar.

22 de Fevereiro/ noite

Aqui não há tomadas disponíveis e, nem chorando ou fazendo cara de piedade eles recarregam as baterias dos eletrônicos na secretaria. Com isso, estou sem o iPad, onde geralmente tomo notas e escrevo os rascunhos dos posts. Restaram-me, então, como local para anotações, os versos dos emails que eu trouxe impressos com dados das reservas, passagens, essas coisas. Estou numa economia danada de papel. Até agora, foram 14 páginas em 07 dias. Isso vai me complicar um pouco as coisas para manter o blog em dia...

Kk: Munger, Índia: 6o dia no Ashram ou como tomar banho frio, no frio


A rotina tem ficado mais pesada e comecei a entender porque aqui todos comem tanto (principalmente arroz, no café da manhã, almoço e jantar) e são tão magrinhos. A minha agenda está assim hoje: 05:40 servir café da manhã, 07:00 seva de limpeza - hoje eu mais um limpamos o banheiro do prédio principal, 08:00 - 11:00 ajudar na cozinha (lembrando que a cozinha produz refeições para mais de 200 pessoas), 11:00 almoço. Hoje, após o almoço, ajudei a limpar muitos muitos metros de lona sob o sol da Índia cozinhando as idéias, 14:00 pausa para um leite gelado com especiarias. A seguir, trabalho na cozinha. 17:00 jantar. 18:00 cerimônia especial em comemoração da união dos deuses Shiva e Parvati. O evento foi lindo, ao ar livre, com rituais e cantos, mas durou umas 2 horas e eu, que já estava um caco, nem consegui manter a mente muito presente. Os joelhos, então...

Relendo esta narrativa, o trabalho nem me parece tão árduo mas, foi ou, pelo menos, senti como tivesse sido e não é por falta de atividade no Brasil. Ébem freqüente eu passar 12 horas à noite trabalhando ininterruptamente.

Quando cheguei ao quarto, além de morta eu estava imunda de sujeira das lonas, de terra de batata, suor e por aí vai. O banho era "impulável". Juntei a pouca coragem que tenho e encarei a água fria, no frio. Antes do banho, eu estava usando blusa de manga comprida fina, casaco com 2 camadas, calça e cachecol.

Como há muito tempo não dou dicas de viagem, aí vai :-P
Para tomar banho em condições térmicas desfavoráveis:
1. já deixe tudo pronto para vestir, inclusive a peça que for vestir primeiro (da parte do corpo que sente mais frio) por cima.
2. entrar direto embaixo da fonte de água (a minha é uma torneira de altura mediana) pode até limpar melhor mas, a temperatura...Então, o pulo do gato é pegar a água com as mãos em cuia porque estas podem aquecê-la.
3. jogar a água no corpo. Se você não possui as mãos quentes como a minha ou não consegue manter a temperatura das mesmas, o jeito é tremer de frio!
4. Manter o corpo encolhido também ajuda a manter a temperatura. Para quem passou o dia inteiro com as pernas bem dobradas, um banho agachado não é nada demais.
5. sempre que possível, deixar o banho para as horas mais quentes do dia.

Kk: Munger, Índia, 19 de Fevereiro de 2012 (continuação)

Com pessoas especiais:

Kk: Munger, Índia, 19 de fevereiro, 2012


Hoje a rotina do Ashram voltou ao normal. Grande parte das pessoas que estava aqui partiu para casa ou para cursos e eventos um um outro Ashram, há umas 4 horas daqui.

A experiência da estadia está sendo muito rica e acho que escreveria una infinidade sobre ela - provavelmente, tedioso para quem lê. Por isso, tentei dividir por temas. Uma observação é que toda a vivência aqui tem uma dimensão espiritual e emocional - aliás, provavelmente a parte mais rica da viagem. Entretanto, isso é assunto para outra prosa, para outro momento e requer um grau de intimidade que o blog não dá.

Água: estou num lugar com restrição de água e pobre. Além do mais, um pensamento muito óbvio e simples e que habitualmente esquecemos, é que o meio ambiente em que vivemos faz parte da gente. Somos uma extensão dele e vice-versa. Assim, aqui economia de energia elétrica e de água é a máxima. No banheiro, os sanitários são do tipo (em alguns países, conhecido como banheiro turco) e não há chuveiros. Nas cabininhas de tomar banho, há uma torneira de água sem aquecimento, um balde e uma caneca. Não foi tão ruim quanto parece e não tive grandes dificuldades para lavar meu cabelo (com comprimento quase até a cintura). Devo admitir que, em um dia muito frio, pulei um banho. Mas foi uma exceção. Havia, ainda, no banheiro, baldes para lavar roupa e, no prédio principal, um tonel de água potável.

A comida: as refeições são bem saborosas. Há o café da manhã às 05:45 - geralmente chá e mais uma opção à base de arroz. Às 11:00 há o almoço: arroz temperado, um cozido de legumes em ocasionalmente, um pão fininho. Às 13:00 há o chá e às 17:30 jantar. Apesar da comida soar como pouco nutritiva, o cozido de legumes é bem variado: leva diversos ingredientes. Sei porque trabalho na cozinha. Tudo é vegetariano. Não há talheres e o predominante é comer com as mãos mesmo. A sensação é estranha, além de não ser bonito de se ver. Acontece que as opções são praticamente duas: comer com as mãos ou não comer. Eventualmente se acha uma colher com carinha suspeita. Em uma das minhas primeiras refeições, encontrei uma dessas e não estava de bom aspecto. O raciocínio foi simples: a mão é minha, eu sei onde ela esteve e fui eu quem lavou. O pão fininho também ajuda. Ele pode ser usado como pinça. No quarto dia, pensei já ter superado completamente essa questão de comer com a mão, quando o café da manhã foi mingau. Sugiro experimentar na frente do espelho. Não é permitido conversar durante as refeições. Cada um lava seu prato (parece uma forma média de pizza, tamanho médio, dessas de alumínio) em um lugar parecido com lavatório de escola pública, com várias torneirinhas. Não há bucha ou sabão e as coisas são lavadas com cinzas da cozinha, disponíveis num balde próximo às torneiras.

O lugar: o Ashram é bem grande e, contando com a população rotativa, vivem aproximadamente umas 250 pessoas. Há diversos prédios, de até 05 andares com habitações, cozinha, local de orações, horta, jardins, etc. Os quartos são confortáveis e, os que conheço, são de 02 camas e de 02 janelas. As camas são pequenas, confortáveis e têm mosqueteiros. Não se entra de sapatos na maioria dos lugares, principalmente os de orações e de refeições. Isso é um costume indiano e, nas lojas das cidades, é habitual ver-se as pessoas descalçando-se para entrar.

O trabalho: faz parte da vida aqui, como em qualquer comunidade, um trabalho. Todo mundo tem a sua tarefa e isso é chamado de Seva. Comecei o meu no segundo dia e era servir café da manhã às 05:45 - gostoso porque eu, dentre outras coisas, tinha a oportunidade de ver todo mundo. Após o fim das festividades, o horário de dedicação ao trabalho aumentou e comecei a ajudar, também, na cozinha, picando e descascando legumes durante a manhã e a tarde.

O corpo: o horário de dormir é bem cedo, antes das 21:00 e, o de acordar, aproximadamente às 05:00, o que dá 8 horas de sono. O meu habitual são 05 e com alguma dificuldade. Não tive tantos problemas para dormir aqui, apesar de acordar algumas vezes durante a noite. O corpo está sempre exausto ao fim do dia, principalmente as pernas e as costas. Não há cadeiras ou mesas e todas as atividades (exceto dormir e as filas são realizadas estando-se sentado ou agachado ao chão). Imagine: todas as refeições, estudar, "rezar", ouvir "palestras", descascar legumes, ir ao banheiro... Mas com o tempo, a postura vai se tornando natural. Quando pensei estar me adaptando, o trabalho se intensificou e, como estou vindo de uma fase bem sedentária no Brasil e utilizando outros grupos musculares na minha rotina em BH, as dores pioraram e veio a exaustão. Comecei a contar os dias... Querer ser uma pessoas melhor exige muito esforço e disciplina - tenho uma grande caminhada pela frente.
Para dar uma idéia do meu trabalho na cozinha e, indiretamente, da minha alimentação, nesses 14 dias eu:
- descasquei/ piquei: batata, cenoura, beterraba, cebola (3 dias depois e o cheiro continua), repolho, ervilha, couve-flor, vagem, banana, mamão verde, tomate, etc.
- tirei a ponta de vagem e miolo de pimentão.
- catei: arroz comum, arroz em flocos, feijão e cereal que nunca vi no Brasil.
- abri shapati (o pão fininho).
- lavei: faca, lona, tábua, pratão, pratinho, pia, liqüidificador, parede de cozinha.
Como os indianos são extremamente amigáveis e carinhosos (acho que também sou receptiva), a cozinha acabou virando aula de hindi e de inglês. A maioria dos indianos aqui fala inglês, mas com um sotaque todo especial, e como o meu inglês já não é lá essas coisas...
Eu, ainda, colei hologramas em livros da editora da escola de Yoga, limpei almoxarifado, ajudei a contar centenas de uniformes e roupas paz doação, etc.

As pessoas: definitivamente, o melhor da viagem está sendo a "viagem humana". No Ashram, vivem, basicamente, os monges, os alunos e os visitantes. Os alunos fazem cursos de algumas semanas a quatro meses ou são um tipo especial de discípulos, que abdicam de suas vidas habituais e vínculos e moram lá por 03 anos. Conheci e fiz amizade com pessoas incríveis como a Liz, uma canadense de coração brasileiro que estava no Ashram como visitante, assim como eu. Ela já morou no Brasil, fala português perfeitamente e sabe jogar capoeira. Teve ainda as queridas "meninas" indianas, Karuna, Sônia e Radhika, com quem tive oportunidade de conversar sobre as diferenças culturais de cada país. Encontrei muitos brasileiros especiais, como a Patrícia, brasiliense que está morando n Ashram e Ganga Dara e Agoranada, do Centro Satyananda de Belo Horizonte (proporcionaram-me emoções inenarráveis). Outra pessoa especial foi o senhor Gautam, indiano que estava de visita ao Ashram por uns dias e que, sempre que possível, ensinava a mim e à Liz o significado das expressões, dos rituais... Éramos das mais diversas nacionalidades (além das acima,búlgaros, espanhóis, iranianos, italianos, argentinos, colombianos, coreanos, suíços, australianos, etc) e a motivação para estar lá também era muito heterogênea (desde formação para trabalhar a posteriore com Yoga a gente que não sabia exatamente o que as conduziu até ali).

Fotos: banheiro, refeitório, café da manhã, almoço, situação que as mãos ficaram. Lembrando que o App do Blogger muda as fotos de ordem. As fotos continuam no próximo post.

sábado, 3 de março de 2012

Kk: Aeroporto Indira Gandhi, 15 de fevereiro de 2012, 05:50 da manhã, cansada, pós noite em claro


Hoje completo 13 dias de viagem e, na sou supersticiosa, mas acho engraçada a coincidência: 13 também foi o dia que "pulei" no calendário por dar a volta ao mundo para oeste.

Era esperado que, em algum lugar, em algum momento desta viagem, eu perguntasse a mim mesma: o que eu estou fazendo aqui? Já de consolo me veio uma outra cena: e em cá, no sofá, de madrugada, também cansada, na compania dos gatos. Não achei ta ruim assim estar cansada na Índia. Veio-me outra cena: eu enroscada em quem gosto, de preguiça... Dissipei logo a idéia antes dos pensamentos se tornarem desesperadores.

Esta volta ao mundo é um caminho e, como todo via, e um meio e não um fim em si mesma. Quem está na estrada, pode estar fugindo de algo, deixando algo para trás e vai para um determinado destino. Hoje, não se se estou correndo de ou para, mas a força motriz foi muito violenta, a ponto de me fazer interromper tudo, vencer a inércia natural da vida e andar tão longe: serão mais de 39.000 milhas voadas - uma volta inteira ao mundo, comigo mesma.

Não acredito em destino mas, tenho achado interessante essas questões aflorarem agora, a caminho do retiro e, principalmente, longe de verdade do meu mundo familiar, do qual eu não estava realmente tão distante até agora por causa da internet.

Comecei a ler há poucos dias o livro que minha querida irmã Fernanda me emprestou: Lu no relacionamento guru-discípulo. Isso a trouxe mais para perto de mim.

Eu nunca imaginei isso: a primeira coisa brasileira da qual senti saudades foi a língua. Tenho ligado para o Brasil, mas não é a mesma coisa. O inglês indiano é mais difícil de entender, a meu ver. Só é compensado mesmo pela cordialidade deles e pela paciência, o que torna a comunicação possível, no final das contas.

O meu dia em Bangkok foi assim: primeiro, custei sair do aeroporto - a fila da imigração era interminável e, quando chegou a minha vez, fui informada que deveria ter passado pel posto médico para checar a vacina de Febre Amarela. Fui e voltei. Depois, foi simples. Segui os sábios conselhos da voz da experiência (leia-se André Amparo) e procurei o quiosque de informações turísticas. Lá mesmo contratei um city tour com motorista, guia em inglês e roteiro a meu gosto. Viajar de mochila e ficar em albergue não significa que eu não possa me dar um luxozinho de vez às vezes, né? Não foi muito em conta, mas mais barato que contratar do Brasil.

Aliás, voltando um pouco no tempo, não disse antes ter sido esse o motivo do meu estresse matinal em Los Angeles: como Bangkok tem fama de periculosidade para os turistas, de todo mund querendo tirar proveito, até de seqüestrou e alguns relatos (mais raros) de violência contra turistas do sexo feminino desacompanhadas, resolvi contratar o pacote a partir de uma operadora de Belo Horizonte. Acontece que, mesmo insistindo muito, não tive resposta a tempo. Tentei, ainda contratar alguma coisa pela internet mas, não consegui. Isto é, eu estava chegando n Thailândia com a cara, a mochila e a coragem (quer dizer, falta dela).

Fui surpreendida por uma metrópole, com vias enormes, com muitos carros caros (no Brasil, pel menos) pra todos os lados. O aeroporto já era admirável pelo porte, variedade e quantidade de lojas e portões, lounges e tudo mais. Fiquei pensando no atraso dos nossos...

Bangkok consegue ser mais sensorial que o México e a Índia juntos. Pareceu-me tão colorida (até os táxis, pink) e os cheiros... Uma volta a pé pelo mercado das flores não tem nada igual. Além disso, a alimentação deles é muito saudável e há, por todos os lados, bancas de frutas para leva ou para serem consumidas na hora.

A minha guia pareceu-me até bem a vontade. Parou para tomar café da manhã, para fazer um lanchinho na feira... Comprou umas bananas e batatas doces fritas, empanadas nessas barraquinhas de rua e acabe experimentando também. Bom... Hum... Só de lembrar deu vontade. Outra coisa simples e deliciosa é o coco verde, mas cozido no fogo e servido resfriado. A água e a fingia ficam com um sabor bem diferente.

Há, aproximadamente, uns 400 templos (mais de 90% da população é budista) e todos são de corados com muito dourado, espelhos e porcelana colorida. Eu não sabia: há um Buda (numa posição, na verdade) para cada dia da semana. Aí você olha em qual dia nasceu e o correspondente será o "seu Buda".

Dia agradável. Almoçamos em m restaurante local do gosto da guia. Local e um pouco fora do roteiro turístico. De "estranha" no lugar, só havia eu. Comida gostosa mas, não dei conta da pimenta. Eu mal sabia: na forma de comer, já estava ensaiando para a Índia. Come-se, predominantemente, com o uso apenas da mão. Quando se usa o garfo, é como acessório para colocar a comida na colher.

Ah, e já ia me esquecendo: houve as já familiares pegadinhas de turistas (aquelas paradas em lojas que você não quer, para comprar coisas super-faturadas). Outra pegadinha, desta vez, específica de Bangkok, é o passeio de barco. A guia me ofereceu e eu, após recusar por algumas horas, acabei mudando de idéia, um passeio de barco: ela o vendeu mostrando fotos de um interessantíssimo mercado flutuante. Acontece que o passeio de barco é só isso: um passeio de barco e, ainda por cima, numa parte feia da cidade. Não há mercado flutuante em Bangkok. O mais próximo fica há uns 100km de distância. Claro, tudo seria prevenido se eu tivesse feito direitinho o para-casa e estudado melhor a cidade antes de ir.

Acabei indo cedo para o aeroporto e aproveitei para tomar um banho sem preço num desses lounges que falei. Ao fim do dia, estava exausta e só não dormi o tempo todo no vôo para a India porque o casal de indianos ao meu lado, querendo ser gentis, acordou-me para as refeições.

Aliás, tenho encontrado pessoas muito gentis nos vôos e elas, de certa forma, acabam cuidando de mim. Outra situação semelhante foi no vôo Los Angeles - Bangkok. Ao meu lado, viajou o Fred. Impossível ser mais gentil e me pareceu extremamente doce, também. Jovem, mas já com filhos crescidos - uma adolescente, inclusive. Quis saber com eu estava me cuidando na viagem e deu bons conselhos. Achei interessante quando perguntei o que ele mais gostava em Los Angeles e o assunto rumou para a distância entre as pessoas naquela cidade e o quão ruim é isso.

Outra coisa que já ia me esquecendo: o serviço de bordo da Thai é imbatível!

Este último post está engraçado e, imagino, até confuso para quem lê. Fui e voltei tanto, dei tantas voltas turísticas e psíquicas que, talvez, o melhor nome seja ziguezague e não volta ao mundo. Escrevi tanto que o indiano sentado à minha frente no saguão do aeroporto não resistiu e perguntou se eu estava estudando para alguma prova!



Dica do dia: sempre vá aos mercados! Excelente oportunidade de ver e experimentar o que realmente se come em cada lugar, e por preços bem bons!
Não faça o passeio de barco de Bangkok pensando que vai ver algum fantástico mercado flutuante!

Kk: Aeroporto Indira Gandhi, Delhi, 15 de fevereiro, 2012


* alô alô conterrâneos, estou, enfim, de volta à grande rede!
A partir de hoje, atualizando aos pouquinhos os posts que estavam no papel. Estou na Mongólia e, pelas datas, dá para entender a continuidade das coisas.
Os posts começarão assim: Kk ou Hell ou Cássia porque, agora somos três na estrada e todas postaremos aqui!
Cruzei tantos fusos e tive tantos vôos nos últimos dias que já perdi um pouco a sensação de dia e noite.

Saí de Los Angeles no dia 12 às 21:40, viajei para Bangkok por 18 horas (noite do lado de fora do avião o tempo todo). Desembarquei dia 14 às seis e pouco. Fiquei acordada (dormi só um pouco no vôo) o dia todo andando no calor úmido da Tailândia. Embarquei de novo às 20:40 e cheguei às 23:40 na Índia. Vou ficar no aeroporto e embarco de novo às 10:00 para o interior.

Bom, apesar de não ter dormido tanto quanto gostaria, a viagem saindo de Los Angeles foi tranqüila (não estou incluindo aí o embarque). Cheguei ao aeroporto bem cedo - com umas 3 horas de antecedência. Quando fui fazer o check-in, o funcionário ?!%?!*\ da Thai Airways disse que ele não poderia embarcar porque não tinha o visto da Tailândia. Não adiantou, é claro, e dizer que era estranho, que eu havia conferido os vistos todos e tudo mais. Voltei mais uma vez, em outra funcionária e ela também negou meu embarque. Pedi para remanejar o vôo, então, direto para a Índia. Acontece que não há loja da Thai no aeroporto de LA e a mocinha acabou me dando os números de telefone para os quais eu deveria ligar: DESESPERO TOTAL! Perguntei, ainda, como eu poderia conseguir o visto: só no dia seguinte, na embaixada em LA e isso implicaria em voltar para a cidade, procurar hospedagem, procurar a embaixada no dia seguinte, esperar o visto ficar pronto... O problema não seria só atrasar a saída dos EUA, eu teria que remarcar os dois próximos vôos, que estavam casados.

Fui procurar uma internet para ligar do Skype: não havia nenhuma free wifi, nem Starbucks, rede de restaurante, nada! A sorte foi encontrar um Relax Lounge: verdadeiro oásis nessas horas. Funciona assim: você paga a hora e tem internet, sofá, água fresca e uns aperitivos. Em alguns, pagando a mais, você tem quartos, chuveiro, massagem.

Conectei mas não consegui ligar na Thai. Tudo o que se quer nessas horas é uma mão... E não é que a mão estava online? Mão, colo, tudo e ainda por cima da pessoinha da lista dos favoritos, o Dé! ;-) Ele também não conseguiu falar na Thai porque os números só funcionavam em horário comercial e já era de noite, mas conferimos no site da embaixada da Tailândia e da Star Alliance e brasileiros não precisariam mesmo de visto, no caso de turismo, com estadia menor que 90 dias.

Voltei lá e contei minha novela a uma terceira funcionária. Não precisou nem mostrr os sites. Ela fez meu check-in sem problemas e disse que o funcionário anterior era novato!!!!!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Los Angeles, 12 de Fevereiro de 2012

Data estranha: 12/02/2012. Mais estranho ainda o fato de que nunca terei vivido a dia 13. É que viajo no sentido contrário da rotação da terra e cruzarei a linha mágica do tempo, a que faz mudar o dia. Assim, hoje (12/02) à noite saio de Los Angeles, voarei por 18:50 horas e chegarei dia 14/02 em Bangkok.

Vôo saindo de Cuba tranquilo, ainda mais na compania na minha nova amiga chinesa, Ângela. Acho que ainda não expliquei isto: o nome dela não é este, mas como ele é praticamente impronunciável pela gente, ela resolveu adotar um outro, ocidental.
Ainda no aeroporto do México, conhecemos mais uma chinesa que viria no mesmo vôo. Coisa chata: ela nos contou que o pessoal que revista os passageiros no check-in furtou dela uns U$ 100,00. Ela desconfiou, ficou brava e solicitou ao guarda que abrisse a mão! Ele abriu e o dinheiro estava lá (e foi devolvido).

Inicialmente, eu havia pensando em vir do aeroporto pro Hostel de shuttle (tipo uma van), mas Ângela sugeriu o metrô e caiu a minha ficha - está passando da hora de eu ser mais descolada! Fomos, erramos a linha, voltamos pra certa de novo e tudo bem.
Cheguei ao Hostel e logo na esquina um cara veio oferecer drogas. Não demos bola e tudo certo. O Hostel é extremamente organizado e o mais regrado de todos. Não se pode entrar nem com o próprio saco de dormir! O único alimento permitido fora da cozinha é água e o checkout é as 10:00. O lugar é limpo (US Hostel Hollywood) e é muito bem localizado também: da janela do banheiro dá para ver o famoso letreiro da cidade e estou a 3 quarteirões do local onde acontece o Oscar. Pena que o local é limpo, mas as queridas colegas de quarto... Nunca vi tanta bagunça junta e sujeira idem! Foi aí que entendi a coisa do excesso de regras...

Um parênteses: a Ângela veio parar aqui porque está em conexão para Pequim. Como o intervalo entre os vôos era grande, resolveu dar uma volta na cidade.

Los Angeles é assim (leia-se os 7 ou 8 quarteirões de Hollywood que passei e também não vou conhecer nada além disso): pense num lugar artificial, com museus de coisas artificiais (tipo de cera), lojas de coisas artificias (figurinos), pessoas artificiais (gente fantasiada de personagens de filmes, às vezes com roupas rasgadas e pedindo alguns dólares para ser fotografada). Intercale aí algumas boutiques, teatros, cinema, muitos turistas e - você está em Los Angeles! Claro, tem praia, parece ter restaurantes bons e gente muito rica. Mas, na minha ignorância, não acredito que vá muito além disso.

Eu tinha um city tour reservado para hoje. Mandei um email ontem para confirmar mas, parece ter havido algum problema. Resolvi não contratar nenhum outro e ficar por aqui mesmo. Resolvendo coisas do resto da viagem.

Aliás, hoje tive plena consciência do meu grau de ansiedade: acordei às 05:00 e fiquei pensando nas coisas a fazer. Definitivamente preciso menos stress e mais desenvoltura. Talvez, jogar-me numa próxima volta ao mundo sem nenhuma reserva feita... tudo em aberto... Talvez assim, com essa terapia de choque, eu melhore. O pior é que sou meio perdida para algumas coisas: do tipo que põe a chave no bolso e não acha nunca mais! Ainda bem que a bagagem é pequena! Por enquanto, tratamento para ansiedade: escrever. Eu sempre fiz isso mas, geralmente, em verso. Hoje, resolvi sublimar (ou ignorar mesmo) um pouco as coisas a resolver e fiquei aqui escrevendo. Descobri outro remédio ótimo para minha ansiedade! Ter alguém rindo deliciosamente dela! ;-) Funcionou!

Talvez alguém fique aí pensando: Los Angeles e ela pensando nos próximos lugares ou gastando tempo na internet! Bom de férias é isso, né? A gente pode fazer o que quiser e isso inclui não fazer nada nem passear! :-)

Provavelmente volto a postar daqui uns 15 dias: é que vou à noite para Bangkok (Thailândia), passo só o dia lá, sem necessidade de hospedagem. Vou pra Delhi (Índia), passo a noite no aeroporto e vou de manhã, no dia 15/02, para o retiro no interior da Índia. Lá serão 15 dias sem comunicação!

Beijos, que não sejam de cinema!
Ah, e bom Carnaval para quem é de Carnaval!

Fotos (o blogger muda a ordem das fotos):
. Prédio verde com toldos: Hostel. A outra foto interna também!
. Museu do Guinness (dos recordes)
. Loja da Hollywood Boulevard.

Feira de livros de Havana

Esqueci da foto da feira de livros.

Aeroporto Benito Juarez, Cidade do México, 11 de Fevereiro de 2012

Mais um vôo. Mais país. USA: Los Angeles, aí vamos nós! Com uma certa preguiça, é verdade, mas vamos. É que a filosofia da cidade não me agrada muito... Nem fiz meu dever de casa direito: não li sobre a cidade, não pesquisei sobre as atrações. O Hostel está reservado e fica pertinho da calçada da fama. Reservei um city tour para amanhã de dia (parto à noite para Bangkok) e nada mais.

Ponto para a mochila: continua viajando na bagagem de mão. Desta vez, apenas 7.9kg, sem o saco de dormir (que acrescentaria mais 980g). Estou começando a achar que, realmente, estou conseguindo uma façanha em carregar apenas isso. Em todos os lugares, as meninas ficam admiradas com o tamanho da mochila. Quero ver se vai continuar dando certo no frio. Até agora, o pior que peguei foi um pouquinho abaixo de 10oC, mais chuva, aqui. Aliás, um item que eu já estava considerando inútil facilitou bem a minha vida: a capa de chuva.

O dia ontem na Cidade do México não poderia ser melhor. Logo cedo, chegou minha nova colega de quarto: uma chinesa de Beijing - Ângela*. Beijing é um dos próximos destinos! Acabamos nos juntando a um free walking tour (tour gratuito a pé) pela vizinhança e foi ótimo, apesar da chuva e frio. Fomos à Catedral e ao Palácio do Governo, onde há fantásticas pinturas de Diego Rivera. Impressionante tudo: o tamanho, a riqueza de detalhes, a importância histórica! Eu e Ângela acabamos almoçando juntas numa casa de tacos que a nossa guia nos recomendou. Achamos mais ou menos, mas o meu almoço teve um plus: insetos crocantes que a minha nova amiga trouxe de uma cidade do interior - Oaxaca. Eu experimentei, mas só tem gosto de tempero, nada mais. Não é tão nojento.

À tarde, fizemos outro walking tour. O planejado era irmos para o parque Chalpultec e para o famoso Museu de Arqueologia que fica lá. Minha amiga ponderou que teríamos muito pouco tempo para o museu e que preferia uma visita a um mercado que vende coisas para feitiços, o Mercado Sonora. Não poderia ter sido melhor! O guia (Gibran) acabou nos levando a todos os mercados importantes da região: dezenas de quarteirões que vendem roupas baratas, como há em Belo Horizonte e em São Paulo, mas nas proporções desta cidade. Vimos, na seguência, intermináveis lojinhas de doces. Havia, pelo menos, uns 5 quarteirões enormes. Em cada quarteirão, as lojinhas e bancas da frente davam passagem para intermináveis labirintos de cheiros e cores. Experimentamos doces. Não sei como descrever o resto... talvez tudo se resuma a México de verdade. Sem turistas além de nós. Passamos, também, pela zona boêmia da cidade e nosso guia explicou-nos como funciona esse comércio. Uma fileira enorme de homens ficam de pé, à frente de pequenas espeluncas. Escolhem a mulher que querem e a coisa acontece meio no olhar. Ele a segue e não trocam uma palavra o qualquer outro tipo de contato até entrarem no quarto. O preço do programa é, aproximadamente, 200,00 pesos mexicanos. É o equivalente a R$26,00. Acabamos jantando com Gibran num restaurante local. Comida estranha, mas uma delícia: a bebida era doce, feita de água, açúcar, côco e leite e, apesar de não parecer, combinou perfeitamente com a sopa de milho, frango, alface (eu acho), rabanete e muita muita muita muita muita muita muita muita pimenta.

Essa Cidade do México que se apresentou, com transeuntes imersos em seu trabalho, com sorrisos gentis e olhas curiosos para a minha aparência um pouco distoante dos demais, esse mundo no qual adentrei as entranhas e fui por elas envolvida calorosamente, senti o cheiro e o gosto no último dia, foi exatamente a mesma que me pareceu um animal hostil pronto para me agredir. Atravessando a rua, reconheci o mesmo trecho que eu havia filmado chegando do aeroporto e que postei no YouTube, mas tudo tinha, agora, outra aparência.

Noite tranqüila, eu estava pronta para partir. E, ao final, todos os defeitos do Hostel: ruído, cheiro, aparência, não fizeram a menor diferença.

Beijos,

Kk

Dica do dia:
Estive apenas em 2 hostels, mas parece ser comum a todos eles oferecerem um ou mais free walking tours. Parece ser uma boa pedida: não custa nada, você fica conhecendo o lugar, o guia, colegas do Hostel e ainda pode combinar com eles algum outro programa. Bom, especialmente, para o primeiro dia na cidade.

Sobre a foto da pintura, a mais de perto: não conheço quase nada sobre pinturas, mas eu sabia um pouco sobre Diego Rivera e gostava por causa de Frida Kahlo, pintora que gosto e que foi esposa dele, mas passei a gostar mais ainda dele e a ter grande interesse depois da informação da guia sobre esta pintura. O moço meio cinza, ao centro, é Hernán Cortés. Como Rivera não gostava dele, pintou-o assim, com seqüelas de sífilis!
Acho que preciso mais mil anos após esta volta ao mundo para ler e aprender e me jogar em todos os novos interesses que estão brotando em mim!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Ai mi Cuba!

Havana, 08 de Fevereiro de 2012

Escrita em dia, mas posts atrasados por problemas internéticos.

Viajar a Cuba é entrar numa máquina do tempo. Começando pelo aeroporto que só vendo mesmo para entender... A coisa mais moderna nele era uma câmerazinha parecida com essas de computador, com a qual se é fotografado na imigração. E o que chama atenção, logo de cara, é a grande força de trabalho feminina: na imigração, as policiais, as vendedoras, todas mulheres. Só não vi nenhuma dirigindo táxi. Elas são altas, bonitas, a maioria com arranjos nos cabelos e saias bem curtas e justas (inclusive os uniformes, curtíssimos, com meias- calças pretas do tipo arrastão). Na casa de câmbio, o dinheiro fica guardado numa caixinha de papelão cortada ao meio.

Os prédios são de um design de mil novecentos e vovó nem era criança, assim como os carros. Todos os muros e outdoors são de propagandas socialistas.

Fiquei hospedada na parte mais turística, Habana Vejia, e, para chegar até lá, passei pela Havana real. Explico: a parte histórica foi considerada, pela ONU, patrimônio da humanidade. Com isso, está toda reformada, colorida, limpa. Parece a Rua das Pedras de Búzios/RJ, sem as boutiques. Sim, com a mesma sofisticação dos restaurantes. Há praças impecáveis e toda uma arquitetura européia de diferentes estilos. Em contigüidade, regiões como Centro Habana e Vedado, parecem Europa pós guerra. Prédios de uma arquitetura linda, mas todos decadentes, sem cor, muito sujos, em decomposição. Um calçamento irregular e, ocasionalmente, uma ou outra portinha por onde se deixam perceber a morada de algum habaneiro (morador de Havana), alguma coisa do governo (escola, secretaria, etc) ou alguma tienda (loja) onde os cubanos podem comprar com a moeda deles (moneda nacional), que é diferente da turística (pesos conversíveis ou CUC). As tiendas são assustadoras: não há quase nada nas prateleiras, nem em quantidade nem em variedade.
Apesar da miséria, pode-se andar tranqüilamente pelas ruas. O maior "perigo" é ouvir assobios ou "bonita". Aliás, isso acontece o tempo todo, com TODAS as mulheres. Mas se você não der bola ou fizer uma cara de que só entende uma língua de outro planeta, os cubanos desistirão de te assediar.

Estou num convento, o Santa Brígida*, que foi recomendação de um blog. A hospedagem foi como ganhar na loteria. Bem mais barata que os hotéis e mais certa que as casas particulares - casa de moradores do governo que tem autorização para alugar quartos (vários blogs falam que você só consegue reserva nelas por telefone e, não raro, quando chega, ninguém nunca ouviu falar de você e não há vagas), o convento fica no coração da parte turística. Engraçado foi que parei no convento errado. O Lonely Planet fala do convento Santa Clara e, quando tomei o táxi no aeroporto, nem pensei! Falei para tocar pra lá. O convento errado fica na parte não maquiada deHavana e, ao chegar, a atendente disse não haver reserva em meu nome. Pensei - até no convento? Pensei que isso era coisa das casas... A minha sorte é que o convento certo ficava perto. Apesar do aspecto das ruas, senti-me segura em ir a pé (como o Lonely Planet disse...). Aliás, estou com um hábito talvez não bom de acreditar em tudo que leio. Minha hospedagem é limpa, novinha, espaçosa, confortável, tem ar, TV, frigobar, tudo! Um verdadeiro luxo. Aproveitei para lavar as roupas no segundo dia... Uma hora isso ia ter que acontecer.

No primeiro dia, deixei-me perambular pelas ruas, deslumbrada com as cores ou com a falta delas, com tudo! No segundo, fiz um walking tour mais planejado pelos lugares que me interessavam mais. Claro que, mesmo já sabendo, fui cercada por um cubano que se dizia professor de música e que ficou querendo me falar sobre pontos turísticos do quarteirão que estávamos. Comecei a rir de mim mesma, internamente, e custei a me desvencilhar dele. É claro que ele pediu dinheiro, ao final. A situação de miséria aqui é impressionante e eu cedi, com o valor sugerido nos blogs/ guias da cidade. Entretanto, meu amigo cubano, esperto, pediu-me uma ajuda 10 vezes maior, "para comprar leite". Acontece quer o valor que ele pediu dá para um jantar com bebida incluída nos restaurantes mais caros aqui ou paga um tour de umas 4 horas a pé com guia oficial! Não são só os brasileiros, os espertos. Talvez seja pela sobrevivência... Não me aborreci (mas também não dei nenhum centavo além do que tinha dado inicialmente).

Andei demais e como continuo dormindo muito irregularmente, estou cansada e vim por volta das 15:00 para o convento. Acho que vou ficar por aqui... Ah, e aproveitei e fiz uma coisa que não é do meu hábito: vi TV. Engraçadíssimo! Há umas coisas do tipo: o preço dos salões de beleza está subindo, então há uma "notícia" no telejornal sobre isso: diz que faltam matérias primas como shampoo, que a culpa é do embargo americano ("um genocídio") e que os cabeleireiros não devem ser gananciosos. Falou-se de barbearias que atendem gratuitamente crianças e idosos e foi dito que isso deveria ser feito por todos, já que o corte de cabelo faz parte da saúde e da higiene. Tem passado muito uma notícia sobre a greve da Bahia. Não sei ao certo o que está acontecendo, mas mostram cenas de protesto, de militares armados e de lojas fechadas por medo de assalto e dizem que o Carnaval está ameaçado!

O que visitei, até agora: Malecon (um calçadão), diversas praças e igrejas, o Museo de Bellas Artes (ótimo para ter uma visão cronológica da situação local, já que é dividido por datas). Sempre fui ignorante em história e política e, pela primeira vez, queria ser diferente, saber mais... Acho que se eu fosse ensinar história a alguém, começaria através de guias turísticos ou coisas sobre viagens... Começaria de trás para frente: mostaria como é hoje para despertar a curiosidade pelo passado. Vi, ainda, o Capitólio, o restaurante Floridita, La Bodeguita del Médio, Hotel Dois Mundos (esses três, do universo de Ernest Heminghway) e almocei no Café Paris ouvindo música ao vivo. Pretendo ir amanhã ao Museu da Poesia, um pequeno vizinho meu. Não tomei - e acho que não vou (não gosto) - daiquiri e rum, pérolas da ilha do Comandante (como é carinhosamente chamado Fidel).
Alguns dizem que não há muito para ver em Havana. Eu acho que a cidade merece, pelo menos, uns 21 dias de visita! E o espanhol que eles falam... simplesmente no intiendo!

Acho que os queridos André Amparo, Solange, Tavinho e Felipe Simil iriam amar conhecer este lugar.

E é isso! Ah, e o esporte querido aqui é o baseball!!!

Beijos socialistas!

Kk

* reservas para o convento podem ser feitas por email, que parece que vai para a cede da ordem (acho que na Itália). O site e o email não são fáceis de achar na internet. Então, aí vai:
http://www.brigidine.org/81/121/Cuba.html

Engraçado é que se você escolher visualizar o site em inglês, o convento de Havana não vai aparecer. Então, visualize em espanhol mas pode mandar o email em inglês mesmo.

Legendas das fotos (o blogger muda a ordem!!!):
. Restaurante Imprensa
. Quem nunca esteve na nesta famosa rua? :-) Eu só não sabia que era cubana...
. Convento Santa Brígida
. Skyline de Havana
. Dispensa comentários

Post atrasado...

Aeroporto Benito Juarez, Cidade do México, 07 de fevereiro, 2012

Queridos,


Bem que o Lonely Planet falou que este aeroporto é um dos maiores do mundo! O terminal que se chega do Brasil não tem nada demais, além de intermináveis e labirínticos corredores. Mas este aqui, o 2, é muito bonito, cheio de lojas, restaurantes, exposições, telões de led por todos os lados. Muito organizado e limpo. Acho que é o maior que já estive.
Aproveitei e tomei um café da manhã mexicano, para compensar o péssimo do Hostel.


Estarei offline* pelos próximos 3 dias - me voy a Cuba.


Já ia me esquecendo... Outra coisa que tem me chamado atenção há algum tempo, mesmo antes desta viagem, é que não vejo mulheres brasileiras viajando sozinhas. Aliás, nunca vi. Mesmo no Brasil, com certa freqüência encontramos mulheres jovens dando umas voltas sem mais ninguém. Por que será? Álguém aí conhece muita brasileira assim? Eu conheço a Clarissa e a Vivi (que viaja a trabalho, de turismo não sei se costumar ir sozinha) !! :-)

Beijos!

* já fui e já voltei!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

México: a segunda impressão

Cidade do México, 07 de fevereiro, 2012


Ainda bem que a primeira impressão só fica para aqueles que não tem a mente aberta ou não são capazes de reconsiderar o seu ponto de vista o que, definitivamente, não é o meu caso.

Quem leu o post anterior, sabe que não consegui dormir. Bom, assim que deu uma hora razoável no relógio, algo tipo umas 07:00 da manhã, levantei e fui dar uma volta no Hostel. Foi super chato porque tive a impressão de que o menor barulho dos meus movimentos estava incomodando as minhas colegas de quarto australianas. Nem troquei de roupa direito, para incomodar menos. Saí de chinelo mesmo e com a blusinha fina que eu estava. Para piorar a noite mal dormida, a internet do Hostel não estava funcionando (motivo pelo qual os posts estarem atrasados, além de eu ter ido a Cuba).

Aproveitei e encarei a praça Zócalo, deserta a essa hora, bem diferente da minha primeira visão, em hora festiva de fim-de-semana. Com a parte mais neurótica do cérebro meio congelada (estava uns 10oC e eu de chinelos e sem agasalho), pude apreciar o lindo lugar, as ruas adjacentes, um pedaço das ruínas do Templo Mayor e a Catedral, inclusive em seu interior. Realmente, a minha localização era privilegiada. Duas coisas tem me impressionado aqui: a religiosidade** dos mexicanos (apaixonados, inclusive, pelo Papa João Paulo II) e a crueldade da colonização, inclusive a ignorância dos colonizadores. Muitas igrejas foram construídas em cima de locais sagrados para os Aztecas que até utilizaram pedras das construções anteriores para isso. Pouco ou nada foi incorporado da grande ciência e tecnologia que havia antes da dominação espanhola.

Eu já estava um pouco mais confortável com a cidade mas, mesmo assim, resolvi deixar para andar de metrô e circular a grandes distâncias depois da visita a Cuba. Acabei me juntando a uma pequena excursão do Hostel para as pirâmides de Tenotihuacan. Não é a forma mais barata mas, não tenho dúvidas, foi a melhor. A turma era bem animada e formada pela guia e motorista mexicanos, eu, um alemão, 3 suecas, 5 argentinas, um casal de israelenses, uma mexicana e um canadense. A viagem de 50km impressiona porque mostra as reais proporções da Cidade do México. A periferia parece não ter fim e lembra muito os aglomerados brasileiros. As pirâmides são lindas e sensação de estar sentada ali, vendo aquilo tudo, o sol, a vida, é indescritível!

Ah! E os quebra-molas se chamam vibradores. :-P

Uma coisa que devemos ter em mente sempre que fazemos essas excursões são as pegadinhas de turistas. Em todo o lugar há! Já passei por isso na Índia, no Perú e, agora, aqui. Funciona assim: o guia, sempre muito simpático, diz que após ou no meio da excursão a gente vai ser levado a uma "fábrica" ou algum lugar onde ponderemos ver a legítima produção de alguma coisa do país. Claro, há a encenação da produção (de seda, de tintura de tecidos, etc.) com uma recepção muito cordial pelo proprietário ou um gerente do estabelecimento. Esses caras, invariavelmente, são poliglotas. Encontrei, até na Índia, loja com gente que fala português. Depois da "apresentação", servem um drink, alcoólico ou não. Nesta do México serviram licor, tequila e mezcal. Tudo "de graça"! A real intenção? Aí você é encaminhado para a grande loja que fica junto. Lá você vai encontrar a maioria das coisas regionais para comprar. Os guias da excursão costumam receber comissão sobre as vendas. Em locais mais perigosos ou de mais difícil comunicação, isso facilita muito a vida do turista que quer comprar. O problema é que os produtos são mais caros do que na rua ou nas lojinhas mesmo e são um pseudo-artesanato - grande parte é industrializada. Fique atento e lembre-se que o gentil proprietário que te recebeu falando português vai usar isso para te vender e compreende o que você fala sobre os preços e sobre os produtos!

Na volta do passeio, pusemos para tocar música de todos os países na van. Cada um escolhia uma música do seu smartphone e a gente punha no rádio. É óbvio que as meninas dos outros países queriam que eu pusesse Michel Teló e ficaram cantando "ai se eu te pego" em português. Também é óbvio que eu não tinha isso no meu celular mas, pelo visto, vou ter que providenciar.

À noite, saí para jantar no delicioso Café de Tacuba, um casarão antigo, animado, com comida deliciosa e boa música.

Foi um dia delicioso e penso que me gusta el México.

Ah, e estou aprendendo a me virar em espanhol...

** as fotos dos cadeadinhos são da Catedral da Praça Zócalo. As pessoas deixam isso na igreja com pedidos ou agradecimentos para San Ramon Nonato.

Pus, ainda, a foto da janela do meu quarto no Hostel do México, que fiquei devendo.