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sexta-feira, 30 de março de 2012

Hell: Marrakesh ou Marrocos segunda parte.

Reinicio o relato pelo caminho para Marrakesh saindo de Merzouga. Foi um tal de sobe e desce Atlas, Middle Atlas e sub Atlas que já não agüentava mais, na hora que dormi depois de tanto direita esquerda quase passei mal de novo... Depois fui assentada ao lado de Armed, nosso motorista, e descobri que indo na frente não se passa mal é pelo excesso de adrenalina... A cada 5 minutos você tem certeza que o carro vai cair no despenhadeiro ou então que vai bater no carro que vem na outra mão. Bom sobrevivemos e Armed nos deixou quase no lugar certo, depois o funcionário do hotel de Marrakesh veio nos buscar, o Assis. Ele parece o Tropeço (mordomo da família Adams), assusta um pouco no inicio, mas com o tempo ele até riu um pouco e melhorou nossa impressão sobre ele.
A dona ou gerente do hotel, não tenho certeza da função dela, tem certeza que somos todos muito ricos kkkk, sugere sempre restaurantes caros e afins, como é o fim da viagem resolvemos embarcar na história e bancar os excêntricos e vamos de calça de trecking ou jeans, camiseta, que não vence, e tênis aos restaurantes que ela indica. No mínimo melhora a alto estima...
Bom voltando às descrições detalhadas o primeiro dia foi jantar e cama, viva! Cama boa e confortável no quarto Aisha, azul, bem decorado, banheiro grande e com pequenos mimos. No outro dia levantamos cedinho e fomos passear pela Medina, nem ficamos muito perdidos. Vimos a praça Jamaa el Fna pela manhã e no inicio da noite, tomamos o famoso suco de laranja e fizemos algumas comprinhas, depois tentamos achar o Hammam público. Achamos, mas era publico demais, risos... Não conseguimos encarar, voltamos pro hotel. Boa noite, jantar num restaurante de culinária internacional comida boa e de sobremesa escolhi na sorte uma coisa com chocolate e lucrei um petit gateu com sorvete.
No último dia passeio de ônibus turístico kkk vermelhinho igual de filme. Almoço num restaurante na praça com terraço (pizza com salada, fiquei tão feliz de não ser tangine, achei que quando as pessoas falam que cansavam de tangine em uma semana era exagero, mas não é). Mais uma voltinha e simbora pra Casablanca...
Estrada boa fizemos o percurso em 3h. André na frente tendo aula de berbere com o motorista, esse muito mais divertido que Armed, chama-se Mustafa. Voltamos para o mesmo hotel, dessa vez quarto cor de rosa (novamente uma foto vale mais que mil palavras). Jantamos em outro restaurante, onde se pode fumar e se fuma muito... Haja rinite! O restaurante, o serviço foi lama, demora para atender, talheres sujos, os pratos vieram trocados, alguns foram esquecidos, o creme burleé foi frio e queimado... Ruim com força.
A noite vai ser curta para fechar a mala... Hoje lama, amanhã partir para Lisboa e depois pra casa, BH Brasil. Comer arroz com feijão, pão de queijo e dormir na minha cama. Matar saudade de todo mundo, pena que chego na semana santa já trabalhando...
Mas de qualquer forma, no final deu vontade de não acabar... Termino com reticências para deixar em aberto novas viagens, novos destinos e novos rumos.
Beijos para todos, to quase aí... Saudades muitas!
As fotos vem depois esqueci de bater fotos com o celular, só tenho o por do sol de despedida de Marrakesh, que por sinal foi lindo. E a fonte do ultimo Riad.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Hell: Marrocos, primeira parte...

Inicialmente ia escrever tudo do Marrocos de uma vez, mas quando o final foi chegando optei por dividir pra ver se a demora mais a acabar. Complicado essa história, estou com saudades das pessoas que deixei no Brasil, mas agora no finalzinho, deu uma vontade de recomeçar...
Bom vamos lá. Embarcamos em Istambul com destino a Casablanca. Em Casablanca encontramos a última companheira a se juntar a nossa aventura, Marina.
Marina chegou no aeroporto de Casablanca bem cedinho e ficou nos esperando até quase 15h, que foi quando terminamos todos os procedimentos de alfândega. Depois sacar dinheiro e direto para o hotel. Entrada bem decorada estilo Riad, mas os quartos, "meu Deus"... Como uma foto vale mais que mil palavras deixo a foto para vocês. Foi bom conversar com Marina, me atualizar sobre algumas coisas fez diminuir um pouquinho a vontade de voltar pra casa... Jantar num restaurante especializado em peixes e frutos do mar, bem do lado do mercado de peixe, comida deliciosa.
D2: dia cheio, acordamos cedo, mochilas prontas, direto para a Mesquita Hassan II, realmente uma construção maravilhosa, mas o dia estava nublado com nevoeiro e me senti como João nas nuvens tentando enxergar o castelo depois de ter subido no pé de feijão. Pelo interior é de longe a Mesquita mais bonita que já vi (os trabalhos em madeira, a iluminação, tudo...). Saímos da Mesquita rumo a estação de casa voyager -trem para Meknés (compramos primeira classe devido a pequena diferença de preço para a segunda e dessa forma garantiríamos um lugar para assentar), só tinha cabine e o ar condicionado não estava funcionando. No inicio tudo bem, a alegria da Lidi em andar no trem de "cabininha" contagiou todo mundo, mas quando o calor foi aumentando e a janela só abria um pouquinho, foi batendo uma preguiça... Faltando umas duas estações mudamos de vagão, pra um com ar. Descemos em Meknés, dessa vez um carro nos esperando (esqueci de contar que dessa vez devido a uma recomendação de uma amiga do André, conseguimos resolver tudo muito mais fácil). Almoçamos em Meknés, passamos por Moula Idriss (a primeira cidade islâmica do Marrocos, onde não há bares nem hotéis, segundo o nosso motorista que fez muito bem as vezes de guia). Uma visita a Volubilis (ruína romana do século III - pelo que consegui encontrar de história do local) e uma parada para ver o por do sol próximo a um lago artificial e algumas plantações, tudo tão verde que fica difícil acreditar que a 400 Km esta o deserto. Chegamos no hotel já era noite, mas acertamos tudo até o passeio de camelo pelo deserto. O hotel é novo tem menos de 2 anos de funcionamento e além dos funcionários extremamente prestativos, a decoração é linda. Jantar num restaurante que funciona na casa dos donos com a comida preparada pela esposa e pela mãe do dono. Tudo maravilhoso!
D3: hoje, 26/03 é parabéns pra você, aniversário da minha irmã Laélia. De passeios foi dia de conhecer a Medina de Fes e a parte nova da cidade. Muito diferente e ao mesmo tempo muito parecido com varias cidades, os cheiros, as pessoas, as lojas, os caminhos... Difícil descrever, é realmente um mundo paralelo... Jantamos em outro restaurante, não tão bom quanto o de ontem, mas nos divertimos até. Lidi deu aulas de árabe. As aulas da Lidi rendem um post inteiro.
D4: acordamos ás 7h e ás 07:30h saímos de Fes com destino ao deserto... O dia inteiro no carro e mais 90 minutos em cima do camelo para chegarmos num acampamento no meio do nada, no meio da noite! Juro que quis matar a Lidi, mas no final foi super divertido. Nossos camelos Augusto Felipe (Cassia Elena), Zé Roberto (André), Fernando (Lidiane), Serginho (Helen), Adailton (Marina) e Beth (Karina). Noite divertida vendo um mar de estrelas. Jantar: tangine no deserto, sobremesa laranja. Dormimos numa suite super fina um monte de cobertores forrados com lençol e mais cobertores. Bom, não vou falar nada sobre conforto, mas foi um hotel de um milhão de estrelas... O retorno para Merzouga foi...digamos que a empolgação de andar de camelo tenha passado.
D5: estrada novamente a caminho de Marrakesh... No próximo post Marrakesh.
Fotos: o hotel em Casablanca (cama de dossel), a Mesquita Hassan II (a do pé de feijão), o hotel de Fes, o deserto e os camelos. Copinhos de chá de menta e Jantar na tenda no deserto.
Em breve o final... O percurso até e Marrakesh. E depois pra casa...

terça-feira, 20 de março de 2012

Kk: Goreme, Turkia, 21 de março de 2012 ou Quando uma imagem vale mais que mil palavras...


Queridos, fiquei muito feliz em vê-los por aqui durante esta viagem! Cada comentário, cada visualização... Foram muitas, as deliciosas e constantes presenças, como Nathayl, Ana Paula, Fábio, Carol e da Cla (com as melhores dicas do mundo! :-)

Peço desculpas pela irregularidade das últimas postagens e, a partir de hoje, vou substituir os escritos pelas imagens. Há quem acredite que uma imagem valha mais que mil palavras... Eu sou do time dos amantes das palavras. Mas é que a companhia física de um amigo, de um amor, valem ainda mais que todas as palavras escritas do mundo. Ainda mais se são pessoas queridas que topam a empreitada de encarar uma grande viagem com você, para locais e culturas completamente diferentes.

Assim... minha viagem de viajar nos lugares e na minha relação com eles e comigo mesma e o registro por extenso) aqui, chegou ao fim (mas não se preocupem porque as meninas, principalmente os dedinhos nervosos da Hell escrevendo tudo no iPhone, continuarão postando.

Vou postar as imagens e viajar nas pessoas que estão ao meu lado e na minha relação com elas. Uma vez, lendo sobre o amor (livro Eros e Pathos - Aldo Carotenuto - acho que, sociólogo italiano) deparei-me com a afirmação de que nos conhecemos de verdade quando estamos em íntima relação com o outro, quando passa a fase inicial de encantamento e nos deparamos com a o real desse outro... Viagens, enfim!

Continuemos?

Beijos púdicos da Turkia!
Kk

Ps: entre o último post meu e este, passei pelo Nepal (Kathmandu, na cordilheira do Himalaia, incluindo ver nascer do sol de longe, passando pela pontinha do Everest, escala na Thailândia (Bangkok), Istambul (Turkia) e ainda estou neste país, na cidade de Goreme, num hotel dentro da pedra! :)

domingo, 18 de março de 2012

Hell: O topo do mundo é logo aqui...

15/03 chegamos no Nepal, mais especificamente em Kathmandu, depois de termos saído de Guílin ás 22h chegado em Chengdu ás 00h e partido novamente ás 09:50, enfim com destino ao Nepal... Nesse meio tempo dormimos em Chengdu por mais ou menos 5h (meio lama, cama boa, hostel legal, mas muito morta de cansaço).
Chegamos ao Nepal meio mortas de fuso, de sono, de cansaço, de quase tudo...
Nos buscaram no aeroporto e ao chegarmos no hotel fomos apresentadas ao gerente de turismo do hotel, como tinhamos pressa, combinamos um passeio para Nargarkot para ver o sol nascendo próximo ao Everest e depois visitarmos Patan, pedido USD 50, como estávamos sem paciência para negociar topamos por USD 45. Passeamos pela cidade, parece muito com a Índia, mas a arquitetura é diferente, a exploração ao turista é maior e as ruas são menos sujas. Ah e aqui parece ser o paraíso dos "bicho grilo"! Jantamos ás 17 horas e fomos dormir, por exaustão e por que o combinado era acordar ás 4 da madrugada pra partirmos rumo a Nargarkot e ver o Everest para depois passear por Patan.
D 2: despertador tocou as 4h após uma noite estranha, com pesadelos e direito a um carregador na testa por que a tomada fica em cima da cama...
Noite fechada ainda e partimos rumo a Nargarkot, chegamos lá e pouco tempo depois o sol começou a nascer, pintando de dourado as montanhas da cordilheira do Himalaia e o EVEREST! Deixo para vcs verem uma foto, batida com o celular, então vejam ou imaginem o q eu vi, por que eu não sei descrever... Na volta o motorista nos perguntou se que queríamos conhecer Bhaktapur, que era a pegadinha de turista, a gente imaginou, mas assustamos... Pra entrar na cidade USD 15 por cabeça e é taxa oficial! Valeu o dinheiro, a cidade é muito bonita, bem preservada e estão restaurando do que foi deteriorado pelo tempo. Almoçamos na cidade e o motorista assentou na mesa conosco, ficamos sem graça e perguntamos se ele aceitava almoçar... Aceitou, comeu mais que nós 3, mas no final decidimos que essa seria a "tip" 600 rupias nepalenses, convertendo nem ficou tão ruim. Mas achei meio abusado da parte dele, na Índia eles nos deixavam na porta e depois voltavam para buscar ou assentavam em outra mesa e eram responsáveis pela sua própria comida. Após o almoço partimos para Patan, visitamos a Durbar square, tiramos umas fotos e passeamos um pouco pela cidade. Ao chegarmos ao carro tivemos que esperar o motorista por cerca de 15 minutos e ele nos disse que ligou para o gerente dele, o mesmo digníssimo senhor que nos vendeu o pacote , no dia anterior, e que o mesmo disse que Patan não estava incluído no acordo. Voltamos ao hotel e, quem eu encontro?! O mesmo digníssimo senhor, paguei o que devíamos e subimos para o quarto. Saímos para andar novamente por Kathmandu. Encontramos dois brasileiros que estavam partindo para o trecking até EBC, ai que vontade de ir com eles... Jantar no hotel e ver a cara do motorista e do gerente varias vezes, passando e sorrindo, quase tive indigestão. Ainda bem que amanhã estamos caindo fora. Volto ao Nepal, mas não pro mesmo hotel!
Restante da noite, tentamos falar com Marina e resolver o Marrocos, afinal pra lá só tem passagem...
D3 acordamos usufruímos mais um pouquinho da internet movida a lesmas congeladas pelo Everest, fechamos a mochila e zarpamos rumo á Turquia! A raiva passou e até despedi do senhor gerente de turismo.
Quero muito voltar para fazer o trecking ao EBC, mas se bobear mudo a cidade... E antes uma passadinha no Tibet pra chegar mais paciente... Mas esses são devaneios pra outro momento.
Lidi bem vinda! Te encontro no aeroporto!
E pra todos: Bj, bj, bj! E até daqui a pouco! Com mais novidades!
Fotos: o sol nascendo em Nargarkot, a cordilheira do Himalaia, prédios de Bhaktapur.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Hell: Guílin

Saímos de Beijing em 11/03 com destino a Guílin (pronuncia Güilin ou algo parecido) na bagagem memórias de Beijing, pois as lembrancinhas estão indo pelo correio, chegam em 2 a 3 meses (é que elas vão pra lá de navio!).
Ao pousar já nota-se a diferença, montanhas!!! Indo para a cidade vê-se arvores com folhas verdes, flores nos canteiros, a temperatura e a umidade, ai meu nariz parou de sangrar no segundo dia!
A cidade é extremamente turística com barraquinhas de artesanato, ruas fechadas com lojas e restaurantes com quase qualquer tipo de comida (continuamos arriscando paladares e jantamos tailandês-pimenta, leve mas pimenta), no restaurante uma certa dificuldade de comunicação, queríamos peixe, pedimos dois pratos diferentes e sempre algum não podia, foi necessário que o gerente ligasse para nos explicar que na cozinha só tinha um peixe disponível... O restaurante ficou carinhosamente conhecido como o "UM PEIXE", por nós. Voltamos pro Hostel e descobrimos mais um ar condicionado que não funciona, mas dessa vez tinha cobertor elétrico e com isso nem precisamos do ar e o saco de dormir voltou pro fundo da mochila.
Dia 2: café da manhã na padaria próxima ao hostel, Kaka encontrou pão de queijo e broa de milho, eu um sanduíche salgado com doce, mais biscoito de gergelim e Cassia até se deu bem. Saímos para tentar encontrar o museu de arte de Guílin, não encontramos, mas fomos a Reed Flute cave (que apesar das luzes muito artificiais é um espetáculo a parte). Na volta uma voltinha num dos lagos e mais algumas fotos, além de um ensaio musical na beira do lago... Voltamos pro Hostel e jantamos no paraíso da pimenta (cardápio do dia noodle verde com pimenta vermelha, peixe frito e depois cozido num molho estranho com pimenta, peixe no espeto com muito curry e pimenta e abóbora frita, que alivio sem pimenta!). Viva a coca-cola!!! Noite quentinha no Hostel, teve karaoque e a Cassia fez o maior sucesso! Eu e Kaka terminamos a noite com 1 e meio China shot não sei que bebida era, acho que era a flutuante...
Dia 3 saímos cedo pra fazer o passeio no rio Li, muito bonito, mas o dia estava nublado e com isso as montanhas ficaram cobertas, mesmo assim algumas boas fotos. Descemos em Yangsu e andamos o comércio local, milhões de barraquinhas de artesanato, me perdi em bobaginhas (pequenas, mas muitas), estou, quase, ansiosa pelo próximo correio... Agora a mochila deu uma pesadinha. Jantar comida de rua: dumplings, Enroladinho de gosma com arroz e feijão na folha de bambu (zero tempero, nem pimenta) e pãozinho com creme doce de ovo no meio) acompanhado de coca-cola! Como foi impossível comer, no final pizzaria e uma quatro estacione acompanhada de um vinho alemão não sei que uva, com tampa de rosca!
D4: Enfim a cidade mostrou sua verdadeira face, choveu o dia inteiro e quando não chovia tínhamos que conviver com a "fog" (kkk), comprei mais uma sombrinha. Descobrimos onde era a o museu de arte e fomos até lá, programa pra dia de chuva. Acontece que o dito museu era na verdade uma galeria onde aconteciam algumas exposições e essas somente à noite, ou seja, visitamos mais uma lojinha de pinturas chinesas. Voltamos pro Hostel, dormimos na cama quentinha, fechamos as mochilas e descemos para tentar resolver mais algumas coisas que precisavamos de internet e aguardar a hora do vôo. No hostel estava acontecendo uma festa de dumplings (aprenda a fazer e coma) resolvemos parcialmente nossas pendências e enquanto isso... Cassia conheceu Jorge, um espanhol gatíssimo! Ela até desaprendeu de falar inglês na hora de conversar com ele, recebeu algumas dicas do Nepal e partiu sem dar o email para Jorge, bom ela foi embora e deixou o gato sem pelo pra trás.
Próximo destino o topo do mundo!
Bj, bj, bj! E até...
Fotos: pão de queijo e broa chineses, passeio no rio Li, bolinho de gosma e os dumplings na bandeja de bambu, eu e Kaka com o gato de pelo após os China-shots e a foto que parece flor de velório é o anuncio de uma liquidação na loja!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Kk: Chengdu (China), 15 de março de 2012


Anotações da China completamente atrasadas! O tempo de escrever, de repente, desapareceu!

Resolvi pular tudo e, bola para frente. Depois eu volto e faço uma síntese. E, de qualquer forma, tem as postagens das meninas.

Aqui, quase duas da manhã e chegamos há pouco de Guilin. Amei aquela cidade que, de interior, não tem nada. Lá vivem, aproximadamente, 05 milhões de habitantes, contanto a população do ABC Guiliense! :-) A vida lá parece girar muito em torno da agricultura (principalmente arroz) e turismo. A região é lacustre e tem um dos grandes rios da China, o Rio Li - fizemos um passeio de barco, tipo o do São Francisco- lindo, lindo! A viagem de duas horas termina numa pequena cidade, Yangsu. O local é, basicamente, uma ruinha de comércio com alguns restaurantes, lojinhas e barraquinhas com aqueles "artesanatos" que você vê exatamente iguais em todas elas e em todas as cidades do país. No meio de tanta coisa igual, numa parte já menos turística, tropeçamos quase por acaso em um lugar que vendia roupas... tudo pintado à mão pela mocinha que nos atendeu e por seus irmãos. Não resisti. Aliás, Guilin e Yangsu foram um desafio para a mochila porque acabei comprando várias coisinhas e comprar era um verbo que eu não estava conjugando muito até então. Comprei umas telas, também. Mesmo assim, missão cumprida! Até hoje, só bagagem de mão!

Há, ainda, muitas montanhas, mas diferentes das nossas. Elas são de pedras, quase cilíndricas e não muito grandes. Visitamos, também, a Reed Flute Cave, uma gruta tipo a de Maquiné/MG. Engraçado porque eles puseram tanto néon colorido dentro que eu tinha certeza que estava entrando num cenário bem falso de cinema ou num parque temático qualquer. Ignorando as luzes, as formações rochosas são bem bonitas e o tamanho das galerias, impressionante!

Aproveitei e comi melhor. A alimentação lá é riquíssima em pescados e eu vinha comendo mal, com poucas proteínas, agora que dei mais um passinho para fora do onivorismo. Já não como carne vermelha há 02 anos e acabei de parar aves. Tudo leva muita pimenta!

Depois da câmera nova, acabei me descuidando das fotos para o blog, que são tiradas do Iphone para facilitar a postagem. Vou voltar a cuidar melhor disso.

A cidade em que estamos agora será apenas uma escala, antes do Nepal. Viajaremos agora de manhã cedo. Engraçado porque fizemos reserva numa guest house (tipo albergue/ quarto de hóspedes). Quando fizemos check-in, tinha mesmo cara de albergue. Aí, saímos seguindo nosso recepcionista e entramos no hotel enorme ao lado da portinha onde fomos recepcionados. O nosso recepcionista fez nosso check-in de novo, desta vez aqui no hotel e fomos encaminhadas para um quarto num prédio parecido com o anexo. Estranho... já até pagamos e a tarifa não tem nada a ver com atarefa do balcão do hotel. Tem todo o conforto aqui: telefone no quarto, tv, banheiro com banheira... Surpresa boa, para melhor! O nome da guest house é Sam's Guest House. O do hotel ainda não descobri.

Beijos que já passei muito da hora de dormir!

Até o Nepal!

Kk

Fotos:
. Passeio de barco no Rio Li
. Eu, Hell e um gato que arrumamos depois de uns China Shots no Hostel de Guilin
. Olha quem encontramos fazendo uma propagandinha básica no aeroporto de Guilin (mas a minha passagem não tinha! Snif)

Kk: UlaanBaatar (Mongólia), 03 e 04 de março de 2012


Parabéns pra Lêle, nesta data querida! Aehhhhh! Aniversário da querida Lelê no Brasil e é óbvio que fiz questão de ligar de madrugada e acordá-la só porque cheguei no dia 03 primeiro por estar do lado de cá.

Viagem Pequim/ UlaanBaatar tranquilinha. Fomos para o aeroporto de Pequim de metrô e trem, muito eficientes e fáceis. Deixei os livros da Índia no guarda-volumes do aeroporto porque ainda não consegui postar. O vôo era de umas duas horas só e fiquei com a janelinha fechada para facilitar a leitura no iPad. Quando esolvi dar uma espiadinha lá fora, a olhada já valeu a viagem ao lugar para depois de onde Judas perdeu as botas. A princípio, achei que estava sobrevoando as nuvens, mas ao passarem umas coisas pretinhas lá embaixo, desconfiei estar equivocada. Estava sobre o deserto de Gobi, completamente congelado- uma das paisagens mais lindas que já vi em toda a minha vida. Eram intermináveis montanhas, completamente brancas, muito ocasionalmente entrecortadas por uma estradinha preta.

Chegamos já completamente vestidas para o frio, que estava "bem brando": - 11oC. Fomos pegas no aeroporto pela gentil proprietária do Hostel LG Guest House. A paisagem natural linda, mas a cidade não pareceu muito bonita: ruas sujas, construções velhas e bem quadradas, sugerindo a antiga URSS, à qual a Mongólia pertenceu após domínio chinês. As montanhas... indescritíveis. Passamos por bovinos, todos de grande porte e com abundante pêlo. Nossa motorista nos informou que aproximadamente metade da população vive na capital (mais ou menos um milhão de habitantes). A principal atividade econômica são duas usinas de energia elétrica e, a base da alimentação, carne bovina e de carneiro. UlaanBaatar fica a uns 1.600m acima do mar e o ar é visivelmente poluído e seco.

A vizinhança do Hostel pareceu estranha, rua sem calçamento, muito lixo no chão e uma "casa de shows" logo ao lado. O cheiro também era bem estranho... parecido com o de gordura de carne cozinhando. As acomodações eram bem simples, mas grandes, limpas, confortáveis e quentinhas. Ficamos numa suíte com 02 beliches.

Logo de imediato, saímos para tentar comprar as passagens do trem. A viagem de 30 horas até Pequim seria no dia seguinte por dois motivos: só tem trem uma vez por semana e temíamos não tolerar o frio da cidade. A primeira voltinha na rua não foi das mais fáceis por causa do vento. Helen achou que ia perder a ponta do nariz, Cássia, as costas e eu, os dedos. Andamos no sentido errado e, ao acharmos o posto de venda dos tickets, já estava fechado. Vimos alguns bêbados. Apesar de quase ninguém falar inglês, a cordialidade é infinitamente maior que em Pequim e, de alguma forma, a comunicação se estabeleceu de maneira mais fácil. Pedimos informação na rua e fizemos uma pequena compra no supermercado sem o menor problema. A moeda local é o Tugriks e $785,70 dela eqüivalem a um real. Nossa compra ficou em $17,00 reais com: 03 águas de 1,5L, 03 barras grandes de chocolate com amendoim, uma caixa de suco de cramberry, 01 lata grande de cerveja e 03 cup noodles (ninguém estava animado a sair de noite para comer. Se antes de anoitecer já estava aquele frio...).

No final das contas, foi ótimo não irmos de trem porque ganhamos dois dias para visitar a cidade. Apesar do frio do primeiro dia, as roupas estavam bem adequadas. No dia seguinte (04/03), tomamos coragem e encaramos o clima. Tudo bem que deixamos para fazer isso a partir de meio dia, quando a temperatura estava mais amena. O café da manhã foi um dos melhores até hoje: café, pães, geléia, Nutela, margarina e ovo quentinho. Visitamos as principais atracões turísticas da cidade: um grande templo budista e uma praça. O frio nas mãos (eu estava com luva de couro por baixo e uma luva bem grossa da Columbia por cima) foi limitante. Impossível manejar a câmera fotográfica e, de tempos em tempos, entrávamos em alguma loja porque a temperatura fora era simplesmente impraticável para os dedos. Os meus trajes eram: um par de meias grossas, outro par grosso, que vai até o joelho, calça de segunda pele, outra calça peluda por dentro, blusa fininha com fio ionizado, segunda pele quente, blusa de Fleece, casaco até o joelho com recheio de pena e forro de pelinhos, com 02 capuzes incluídos, um de lã, cachecol e um gorro de algodão por debaixo dos capuzes.

Visitamos um lindo complexo de templos budistas e a praça principal da cidade. As pessoas na rua são lindas, principalmente as mulheres: elegantes, muitas maquiadas. Algumas vestidas em trajes típicos (mais os idosos, crianças e homens). No comércio, uma infinidade de lojas de eletrônicos. A maioria dos lugares é tipo entrada de banco no Brasil: uma porta com uma micro ante-sala e depois o estabelecimento propriamente dito. As avenidas são amplas e o tráfico, intenso. Sobrevivemos até melhor que esperávamos no frio: ficamos na rua até umas 19:00. Tudo bem que cheguei em casa com os cílios congelados...

Tomamos nossa cervejinha mongol (não é muito amarga) com amendoins de entrada e partimos pro amigo cup noodles. Hora de por a vida digital em dia e dormir.

Fotos (na ordem desordenada que o Blogger põe e não desta legenda):
- o gelinho nos meus cílios e na minha máscara.
- montanhas da Mongólia.
- nossa vizinhança/ visão da janela.
- café da manhã no Hostel
- meninas na porta do Hostel, na hora de ir embora
- compras do mercado

DICAS: roupas para o frio - nenhuma de nós nunca esquiou nem morou em países gelados, apesar de já termos visitado lugares com neve antes. Lemos muito a respeito de lugares assim e conversarmos com nativos do Canadá e de outros picolés por aí. As nossas dicas se baseiam nisso e na nossa experiência (pegamos até uns - 20oC). Ninguém economizou nos preparativos da viagem: eu comprei coisas em BH, como saco de dormir para zero graus) e deixamos as roupas para comprar onde se entende disso: fui no outlet da North Face de Santiago do Chile e, as meninas, no outlet da Columbia em Nova York. Comprarmos segundas peles, meias especiais, casacos de Fleece, impermeáveis e corta vento, além de luvas e gorros. No meu caso, usei tudo junto mas, o que fez diferença mesmo foi o casacão que comprei em Beijing (até agora não sei se foi em loja de departamento ou em algo tipo um Feira Shop), longo, talvez recheado de pena - tenho minhas dúvidas. Ele é bem grossinho, comprido (essencial para não resfriar a retaguarda) e tem 2 capuzes. Fazendo parceria na compra chinesa, uma calça que parece saruel, mas com pelinhos por dentro, que usei por cima da segunda pele. A calça e o casaco custaram R$ 60,00 cada. As luvas não foram suficientes (usei uma de couro por baixo e a da Columbia Omni-shield). Então, sugiro ter uma roupa de frio para chegar ao país e ir até a primeira loja local de agasalhos.

terça-feira, 13 de março de 2012

Kk: Beijing, 02 de março de 2012


Hoje acabamos saindo tarde do Hostel. Quase na hora do almoço. É que a gente tinha que organizar um pouco as coisas da bagagem, ver umas coisas de internet e tudo mais.

A primeira tarefa do dia foi tentar comprar a passagem de trem de volta da Mongólia (vamos para lá de avião amanhã). Andar de metrô aqui é bem fácil por ser bem sinalizado, além de ter escritos, também, no alfabeto romano. Tentamos comprar o ticket pela internet mas, o site não oferecia a opção de e-ticket e não tínhamos tempo para aguardar o delivery. O trem é operado por uma empresa russa, a Real Russian e o trechinho que queremos é o fim da transiberiana, o que dá umas 30 horas de viagem. Então, o plano inicial é chegar em UlaanBaatar amanhã à tarde e voltar no dia seguinte, de trem. Assim rapidinho mesmo porque está uns - 20oC (MENOS vinte, mesmo) e o nosso sangue tropical pode não sobreviver muito tempo por lá.

Tentamos, obviamente, na estação central de trem de Beijing. Bem grande, com apenas uma janelinha que fala (mais ou menos inglês). A moça disse que não era lá e sim em algum lugar de fora, na rua da frente, há uns 5 min a pé. Fomos demos uma volta na tal rua, nas laterais, no quarteirão. Nada. Achamos um Hostel com gente que falava inglês. Ninguém sabia. Achamos um posto internacional dos correios. Ninguém falava inglês. Com muito custo e um frio danado (0oC com vento e nevezinha de leve), achamos o tal lugar e um cartazinho dizendo que estava provisoriamente em outro local, que também não encontramos. Pedimos ajuda de uns guardinhas que não falavam inglês, mas viram a coto do cartaz e apontaram numa direção. Por fim, tentamos ligar e... adivinha? Não vendia o bilhete. Restou-nos deixar para comprar na Mongólia.

Com a tarde toda perdida e muito muito (Helén achou que ia perder a ponta do nariz e eu os dedos das mãos - apesar das megas luvas pra esse tempo mesmo). Acabamos nos refugiando num lugar que até agora não sabemos se era um shoppinhg ou loja de departamentos. Foi bom que acabei comprando mais uma calça, aveludada por dentro e um casacão, com dois gorros embutidos. Eu estava meio com medo dos menos 20... Passado o desconforto inicial da sensação de analfabetismo por não conseguirmos ler nada, misturada a uma sensação de deficiência de fala (quase um mutismo), começamos a nos virar bem na mímica, que passou a ser o meio de interação predominante para fins comerciais.

Num dos lugares mais populosos do mundo, imagine como é o metrô nos horários de pico. Isso também fez parte da nossa aventura e acabamos voltando para o Hostel de noitinha. Encontrarmos, na recepção, mais um brasileiro perdido e a prosa rendeu madrugada fora, com direito a cup noodles e a uma cerveja chinesa (que ficou mais para apreciação da Helenzita).

DICA: o trem da Mongólia para a China é operado por uma empresa que eu penso ser russa (mas é registrada na Inglaterra), a Real Russia. Esse trecho é o fim da transiberiana. Você pode comprar o bilhete pela internet, mas demora um tempo para chegar ou você tem que pegar em alguns postos (na Rússia). Há, ainda, um e-ticket. Com ele você só precisa do passaporte para embarcar. Não conseguimos comprar esse, não aparecia a opção no site. O trem é uma vez por semana e, na primeira e segunda classe, se você compra de 2 a 4 bilhetes, pode fechar a cabine.
O site é:
http://www.realrussia.co.uk/

segunda-feira, 12 de março de 2012

Kk: Beijing, 01 de março de 2012

Lembrando aos navegantes: devido a restrições governísticas locais, não consigo acessar o blog, YouTube ou facebook. Consigo postar indiretamente, através de um aplicativo para o iPad, mas não consigo ver os comentários. Também posto algumas fotos no facebook usando o mesmo recurso...


Depois de um dia e meio de viagem, cheguei a Pequim. Transcorreu tudo muito bem na vinda e a única coisa que não foi lá essas coisas foi o vôo da India Airways. Se tem um item ausente nos aviões deles, com certeza esse item é o ar condicionado. A aeronave estava muito abafada, além de suja. As poltronas, as mesinhas de refeição... Eca!

Cheguei à China com atraso de 2 horas e, apesar de parecer que eu estava carregando o mundo nas costas, a mochila continua brilhando na bagagem de mão. Comprei uns 6 livros de Yoga no Ashram muitíssimo baratinhos por causa do câmbio e ganhei muitas coisas (o Ashram dá presentes tipo livros, CD e cachecol). Tudo isso pesou bastante e fui para o aeroporto já com espírito preparado para despachar a bagagem, imaginando um grande rigor da Air China com o peso. No check in, fiz cara de quem carregava uma pluma e soltei "just carry on luggage" (apenas bagagem de mão) e não é que colou? Não postei as coisas na Índia porque a biboquinha com placa de correio não tinha caixas para eu as embalar.

O aeroporto de Pequim venceu até agora em todos os aspectos: limpeza, organização, rapidez, tecnologia, tamanho... Fiquei muito admirada, ainda mais sendo alguém desembarcando da India, onde o cenário é tão o oposto. A quantidade de água dentro do vaso sanitário era maior do que a que gastava num banho inteiro no Ashram. Já na saída do desembarque internacional as meninas (Hélen e Cássia) encontraram-me e agora a viagem terá outra cor! Fiquei muito feliz de estarmos juntas! Almoçamos por lá mesmo e o tão popular comentário de que quase ninguém fala inglês por aqui já deu seus primeiros sinais de veracidade: no restaurante do aeroporto INTERNACIONAL, tivemos que pedir os pratos e a conta gesticulando. Resolvemos pela economia e por um certo grau de aventura e encaremos trem + metrô para o Hostel. Não foi muito difícil porque já tínhamos as coordenadas e os nomes das estações estavam escritas, também, no nosso alfabeto. Chegamos direitinho ao Hostel* e fomos surpreendidas: a coisa era um ex-Hostel, em obras. O moço que nos atendeu (desta vez, em inglês) explicou que o governo resolveu fazer uma reforma lá. Com isso, todas as reservas haviam sido remanejadas para outro Hostel. Ele disse ter avisado por email. Mas havia um pequeno detalhe: a reserva estava em meu nome e há 15 dias não tenho acesso a internet (hoje, inclusive, continuo sem). Lá fomos nos pro outro lugar indicado.

Como iria anoitecer cedo, estava muito frio (uns zero graus), o peso das bagagens e a vontade de ir ao banheiro já estavam incomodando e caía uma garoinha, optamos por tomar um táxi. Tínhamos um cartão com endereço e mapa da nova hospedagem e um escrito em chinês "por favor, leve-me a este endereço". Paramos um taxi e ele se recusou!! Pelos gestos dele, supus que o motivo da negativa era a curta distância da corrida. Voltamos pro metrô, passamos as mochilas pelo RX (no metrô aqui é assim: tipo aeroporto) e seguimos. Acontece que, já dentro do vagão, vimos que a cor da estação que queríamos estava verde e todas as subseqüentes também*. Pensamos estar indo na direção errada. Descemos. Voltamos. Percebemos que a primeira direção era a correta. Descemos e voltamos de novo. Isso tudo no pico do movimento de um dos lugares mais populosos da face da terra e nós três de mochilão. Baldeamos para a outra linha e chegamos, enfim.

O Hostel é bem bonitinho e as camas muito confortáveis. O quarto é de 3 beliches e misto (além de nós tem uma moça não me recordo de onde e um australiano). Uma pena, mas aqui não há aqueles tours gratuitos ds outrs hostels. O café da manhã também não está incluído. Saímos ara comer e... adivinhe!! Comunicação impossível. O restaurante em que estávamos até tinha um menu mais ou menos em inglês, mas sem o tamanho e o preço das coisas e um outro com fotos, mas escrito em chinês. Escolhemos tentando usar os dois. O problemas são as restrições: Cássia não pode com camarão e eu, que já não comia carne vermelha, estou parando com aves. Conclusão: a minha bebida foi leite de côco e a das meninas, um pet de quase dois litros de suco de laranja - tudo meio quente. O prato foi uns muitos litros de sopa que supomos ser de tofu, ovo, alga, bambu e preferimos comer sem ficar pensando nos demais ingredientes. Cássia praticamente nem comeu. Depois, pedimos uns palitinhos fritos (achamos que de alguma massinha) muito engordurados, envoltos numa calda doce.

Comemos. Pedimos a conta gesticulando e a moça escreveu os números num pedacinho de papel: uns ¥55,00 (um pouco mais de 11,00 (AO TODO). Como nenhuma de nós lembrava de ter lido algo sobre gorjeta, deixamos uns 10%. A garçonete não entendeu, ficou vermelhinha, levou o dinheiro para o caixa e eles vieram atrás da gente já na porta da rua para devolver. Acho que, sem querer, cometemos uma gafe. Chamou a atenção o tanto que as pessoas aqui fumam durante a refeição e, ainda por cima, dentro do restaurante e jogam as cinzas, com os cigarros e tudo mais n chão! No caminho de volta, paramos numa loja de conveniência. Compramos batatas, água (parecia ser), castanhas, floquinhos de côco e chocolate. A prateleira de castanhas e coisas tipo chips tinha umas peculiaridades como dedos de frango com unha e tudo! :-P Deu até calafrio de ver.

Já estou com saudades do Ashram com a sua comidinha e das celebrações noturnas. Senti muita falta mesmo dos cantos com a energia que trazem. Tenho livro com alguns cantos, mas como não sei a pronúncia e o quarto é coletivo, não vai rolar. Não vejo a hora de conectar à internet e baixar uns.

Dicas:
* o primeiro Hostel (o da reforma) é o Peking Youth Hostel. O segundo, o que ficamos ao final das contas, foi o Peking Yard Hostel
- ir de trem e metrô para a cidade foi fácil e bem em conta: ¥25,00 o primeiro e ¥2,00 o segundo. Você compra o ticket e pega o trem dentro do aeroporto mesmo e com isso evita os congestionamentos. Acho que gastamos umas meia hora na viagem. Na última estação do trem, você já compra o cartão do metrô e embarca. Nas máquinas dos bilhetes, há opção de menu em inglês (algumas aceitam até notas de ¥100,00 e cartões/ tem caixa eletrônico do HSBC no aeroporto). Você ainda (isso não é em toda estação) pode comprar o bilhete no caixa - não precisar falar nenhuma língua: mostre com o dedo o número de bilhetes que você quer para a atendente e o valor aparece na máquina registradora do caixa.
- não jogue fora o cartão de embarque do metrô porque você precisa passá-lo na catraca para sair.

Fotos: a ordem que serão publicadas dependerá do humor do blog hoje.
. Trem de transporte entre os terminais do aeroporto de Pequim
. Coisas da prateleira de "chips" da China. Sim, isso são pedaços de frango meio crus. Sim, eles comem assim e tem, ainda, pacotinhos de patas de galinha.
. Hall do primeiro Hostel da China
. Primeiro de jantar de Pequim. Sopa de... é... ainda não sabemos!

Kk: pós Ashram... já da China


Já saí da Índia há 11 dias e hoje consigo terminar de atualizar o blog, já que escrevi os outros posts no iPad e só falta publicar.
Não sei se não escrevi ou se perdi a nota final da Índia.

Bom, foi assim: acabei passando mal só aquela manhã mesmo e acho que, no final das contas, foi só cansaço. É pouco provável que qualquer coisa infecciosa tenha durado apenas uma manhã. O corpo parou de doer depois que entendi que o estava agredindo: melhorei a postura (ou ele se acostumou às posições) e tudo certo.

O meu último dia no Ashram foi especialmente emocionante e validou o começo de um novo caminho interno que pretendo espreitar.

A volta para Delhi foi bem tranquilinha: contratei o táxi a partir de um agente de turismo conhecido pelo Ashram. A viagem pareceu bem mais curta e os contratempos, como um congestionamento por causa de obras contornado por um desvio louco do meu motorista, pareceram-me mais uma cena divertida para recordação que qualquer outra coisa.

Fiquei bastante tempo de bobeira no aeroporto de Patna antes de ir para Delhi. Vôo tranquilinho, também. Só não dá mais o ar condicionado sempre desligado da India Airways e a aeronave MUITO suja.

sábado, 10 de março de 2012

Hell: Notas da geladeira chamada Mongólia...

Chegamos à Mongólia, na capital UlaanBaatar, depois de um vôo rápido, umas 3h, Eu e Cassia assentadas ao lado de um funcionário da AirChina que ficou descalço, colocou os pés pra cima e bebeu um chá estranho fazendo o peculiar barulhinho - lhurp ou algo assim (sugando), a viagem toda. Eca! O engraçado é que nessas horas sempre lembro do Dr Henrique. Kkk! A vista da janela do avião... Não consigo descrever... um mar branco, com pequenos pontos que parecem vilas, (não sei como descrever e não sei se fotos serão capazes de fazê-lo). Ao chegar no aeroporto um friozinho singelo -11 graus e como no que diz respeito a frio, pra mim, pouco já é muito, então isso é demais. Sai do avião empacotada, qualquer semelhança com o boneco da Michelin não era mera coincidência. Era assim q eu queria estar: acolchoada e quentinha...
A primeira parte q vimos da cidade é muito estranha não sei se é por estarmos no inverno, mas tudo me pareceu meio estilo faroeste, empoeirado, abandonado e ruim, pra quem conhece, lembra Juliaca no Peru. E é um lugar de clima muito, muito seco, mas de pessoas extremamente solicitas. Mesmo sem falar inglês eles tentam nos ajudar e conseguem na maioria das vezes. Aqui está 50% da população da Mongólia, 30% são nômades e o restante se divide em outras cidades.
Decidimos sair e tentar comprar as passagens para voltarmos de trem para Pequim (o finalzinho da transsiberiana, o plano inicial era somente uma tarde em UlaanBaatar e depois patir em uma viagem de 30h de volta para Pequim), mas entendi errado as orientações e quando chegamos no local correto: CLOSED please came back again! Decidimos voltar de avião em 05/03 a dona do hostel nos disse que se quiséssemos poderíamos tomar um trem nacional até a fronteira com a China e depois continuar a viagem de ônibus leito, mas o trem ficou pra próxima. Já imaginou como seria comprar uma passagem de ônibus na fronteira da China com a Mongólia?! Melhor não, ainda quero chegar inteira no Brasil!
Assim decidido, passamos num supermercado e guarnecemos a geladeira (foto abaixo), e voltamos para o hostel. Jantar noodles de potinho e snickers pra sobremesa, entrada castanha de caju.
No dia seguinte esperamos ate umas 11h pra termos coragem de pisar fora do hostel, nesse horário chegou a - 13 graus, na terra de Genghis Khan. Fomos conhecer o Monastério Gandan Tegchin (um monastério budista que já teve 5000 monges, mas que o governo comunista destruiu ou utilizou para acomodar soldados ou como celeiro por volta de 1938. Hoje eles estão restaurando os datsans e já contam com 900 monges) quase congelamos, tudo sem aquecimento. Mesmo assim rodei as rodas de oração e apesar da aparente bagunça do local e do frio, isso me deu uma sensação de tranquilidade e paz... E olha que quase congelei meus dedos!
Imagine centenas de crianças brincando, adultos e idosos conversando. E derrepente um som ao longe faz todos se deslocarem, ao mesmo tempo e às vezes aos tropeções para dentro dos templos e iniciarem suas orações. Noventa porcento da população é budista.
Saímos parcialmente congeladas do Monastério paramos na primeira portinha com cara de ter aquecimento e que graças a Deus tinha... Todos os templos são gelados, mas a vontade de tirar fotos (o lugar é tão lindo) era tanta que ignorei mais do que devia meus dedos e mesmo com luva grossa deixei de sentir as pontas, nessa hora me preocupei, tenho apego às minhas extremidades (risos). Depois de quase congelar, almoço com direito a esquentar bem, no restaurante (a pimenta ajudou).
Depois continuamos até a praça Sukhbaatar (onde fica a estatua de Dandin Sukhbaatar, o herói nacional da independência e o prédio do parlamento com a estatua de Genghis Khan) politicamente muito importante para a Mongolia, essa praça foi palco do processo de independência da China e do término do domínio soviético. Estátuas lindas e como já estava quase escurecendo uma luz diferente para as fotos, espero que boa... Fomos rápidas ninguém queria congelar e eu aprendi a não menosprezar os sinais sutis que meu corpo me dá antes de eu me por em risco, os dedos ainda estavam sensíveis. No caminho uma aquecida na loja de lembrancinhas, compramos algumas coisinhas, leves, tudo o q comprarmos teremos que carregar até acharmos um posto de correio que entenda pelo menos inglês. E depois na loja se departamento do governo, muito boa por sinal, com nova passada no supermercado, para comprar o jantar. Com o passeio de hoje conclui que a parte da cidade que estamos é que não é bonita. E que realmente o povo é ótimo, me afastei um pouco das meninas, na ansiedade de fotografar tudo o que desse, e um senhor me chamou e mostrou que elas estavam para trás, alem de sempre termos sido recebidas com um sorriso em todos os lugares que entramos. Em 05/03 voltamos para Pequim, que estava menos frio...
Fico devendo as fotos do deserto e dos templos, tirei todas com a câmera e estou usando o celular para postar, portanto... Assim que possível atualizo. Beijo pra quem é de beijo, abraço pra quem é de abraço e os dois pra quem é dos dois, que agora fui... Até daqui a pouco, ou quando der...
PS: Nevou essa noite (04/03)! Tá tudo mais branquinho, temperatura no momento (9h) - 26graus. Simbora brinca na rua?! kkk
As fotos são: a vista do nosso quarto, a janela q se tornou nossa geladeira, o relógio é pq achei estranho relógio de ponteiro com 24h e por fim o jantar de hoje.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Kk: Munger, Índia, 22 de Fevereiro de 2012


Os dias estão voando e nem parece que uma semana aqui já se foi. Hoje, fiquei triste pela primeira vez na viagem. Eu estava fazendo o meu cleanning seva (o trabalho matinal de limpeza) - aliás, o trabalho solitário ou em silêncio é ótimo para reflexão - e me lembrei de um banheiro que me é muito familiar no Brasil. Aqui, pede-se que a descarga do sanitário seja acionada quando "estritamente necessário". Para as outras situações, como "número 1", é solicitado o uso de uma canequinha de água 2 vezes. Há uma torneira em cada portinha do banheiro. Há ainda, um rodinho para secar o chão e adjacências após o uso da caneca. A lixeira para os papéis higiênicos ou jornais utilizados como tal, é uma só e fica do lado de fora. Mesmo assim, o banheiro está sempre infinitamente mais limpo do que de muito ligar em Belo Horizonte freqüentado por uma elite instruída e onde há funcionários o dia inteiro tentando, em vão, manter o ambiente apresentável. Isso me doeu muito. Um dos grandes princípios do Ashram é servir desinteressadamente e isso está muito longe de ser a realidade de muitos ambientes onde vivo.

Alegrou-me lembrar das pessoas que praticam o servir com muito amor e dedicação, como meus pais, as mulheres da minha família e algumas outros queridos ou conhecidos como Adrinez, Carol e Neto.

Dica do dia: The Seven Spiritual Laws of Yoga - a pratical guide to healing body, mind and spirit. Ed. Wiley India, 2007, Deepak Chopra e David Simon. Eu tenho e posso emprestar quando chegar.

22 de Fevereiro/ noite

Aqui não há tomadas disponíveis e, nem chorando ou fazendo cara de piedade eles recarregam as baterias dos eletrônicos na secretaria. Com isso, estou sem o iPad, onde geralmente tomo notas e escrevo os rascunhos dos posts. Restaram-me, então, como local para anotações, os versos dos emails que eu trouxe impressos com dados das reservas, passagens, essas coisas. Estou numa economia danada de papel. Até agora, foram 14 páginas em 07 dias. Isso vai me complicar um pouco as coisas para manter o blog em dia...

Kk: Munger, Índia: 6o dia no Ashram ou como tomar banho frio, no frio


A rotina tem ficado mais pesada e comecei a entender porque aqui todos comem tanto (principalmente arroz, no café da manhã, almoço e jantar) e são tão magrinhos. A minha agenda está assim hoje: 05:40 servir café da manhã, 07:00 seva de limpeza - hoje eu mais um limpamos o banheiro do prédio principal, 08:00 - 11:00 ajudar na cozinha (lembrando que a cozinha produz refeições para mais de 200 pessoas), 11:00 almoço. Hoje, após o almoço, ajudei a limpar muitos muitos metros de lona sob o sol da Índia cozinhando as idéias, 14:00 pausa para um leite gelado com especiarias. A seguir, trabalho na cozinha. 17:00 jantar. 18:00 cerimônia especial em comemoração da união dos deuses Shiva e Parvati. O evento foi lindo, ao ar livre, com rituais e cantos, mas durou umas 2 horas e eu, que já estava um caco, nem consegui manter a mente muito presente. Os joelhos, então...

Relendo esta narrativa, o trabalho nem me parece tão árduo mas, foi ou, pelo menos, senti como tivesse sido e não é por falta de atividade no Brasil. Ébem freqüente eu passar 12 horas à noite trabalhando ininterruptamente.

Quando cheguei ao quarto, além de morta eu estava imunda de sujeira das lonas, de terra de batata, suor e por aí vai. O banho era "impulável". Juntei a pouca coragem que tenho e encarei a água fria, no frio. Antes do banho, eu estava usando blusa de manga comprida fina, casaco com 2 camadas, calça e cachecol.

Como há muito tempo não dou dicas de viagem, aí vai :-P
Para tomar banho em condições térmicas desfavoráveis:
1. já deixe tudo pronto para vestir, inclusive a peça que for vestir primeiro (da parte do corpo que sente mais frio) por cima.
2. entrar direto embaixo da fonte de água (a minha é uma torneira de altura mediana) pode até limpar melhor mas, a temperatura...Então, o pulo do gato é pegar a água com as mãos em cuia porque estas podem aquecê-la.
3. jogar a água no corpo. Se você não possui as mãos quentes como a minha ou não consegue manter a temperatura das mesmas, o jeito é tremer de frio!
4. Manter o corpo encolhido também ajuda a manter a temperatura. Para quem passou o dia inteiro com as pernas bem dobradas, um banho agachado não é nada demais.
5. sempre que possível, deixar o banho para as horas mais quentes do dia.

Kk: Munger, Índia, 19 de Fevereiro de 2012 (continuação)

Com pessoas especiais:

Kk: Munger, Índia, 19 de fevereiro, 2012


Hoje a rotina do Ashram voltou ao normal. Grande parte das pessoas que estava aqui partiu para casa ou para cursos e eventos um um outro Ashram, há umas 4 horas daqui.

A experiência da estadia está sendo muito rica e acho que escreveria una infinidade sobre ela - provavelmente, tedioso para quem lê. Por isso, tentei dividir por temas. Uma observação é que toda a vivência aqui tem uma dimensão espiritual e emocional - aliás, provavelmente a parte mais rica da viagem. Entretanto, isso é assunto para outra prosa, para outro momento e requer um grau de intimidade que o blog não dá.

Água: estou num lugar com restrição de água e pobre. Além do mais, um pensamento muito óbvio e simples e que habitualmente esquecemos, é que o meio ambiente em que vivemos faz parte da gente. Somos uma extensão dele e vice-versa. Assim, aqui economia de energia elétrica e de água é a máxima. No banheiro, os sanitários são do tipo (em alguns países, conhecido como banheiro turco) e não há chuveiros. Nas cabininhas de tomar banho, há uma torneira de água sem aquecimento, um balde e uma caneca. Não foi tão ruim quanto parece e não tive grandes dificuldades para lavar meu cabelo (com comprimento quase até a cintura). Devo admitir que, em um dia muito frio, pulei um banho. Mas foi uma exceção. Havia, ainda, no banheiro, baldes para lavar roupa e, no prédio principal, um tonel de água potável.

A comida: as refeições são bem saborosas. Há o café da manhã às 05:45 - geralmente chá e mais uma opção à base de arroz. Às 11:00 há o almoço: arroz temperado, um cozido de legumes em ocasionalmente, um pão fininho. Às 13:00 há o chá e às 17:30 jantar. Apesar da comida soar como pouco nutritiva, o cozido de legumes é bem variado: leva diversos ingredientes. Sei porque trabalho na cozinha. Tudo é vegetariano. Não há talheres e o predominante é comer com as mãos mesmo. A sensação é estranha, além de não ser bonito de se ver. Acontece que as opções são praticamente duas: comer com as mãos ou não comer. Eventualmente se acha uma colher com carinha suspeita. Em uma das minhas primeiras refeições, encontrei uma dessas e não estava de bom aspecto. O raciocínio foi simples: a mão é minha, eu sei onde ela esteve e fui eu quem lavou. O pão fininho também ajuda. Ele pode ser usado como pinça. No quarto dia, pensei já ter superado completamente essa questão de comer com a mão, quando o café da manhã foi mingau. Sugiro experimentar na frente do espelho. Não é permitido conversar durante as refeições. Cada um lava seu prato (parece uma forma média de pizza, tamanho médio, dessas de alumínio) em um lugar parecido com lavatório de escola pública, com várias torneirinhas. Não há bucha ou sabão e as coisas são lavadas com cinzas da cozinha, disponíveis num balde próximo às torneiras.

O lugar: o Ashram é bem grande e, contando com a população rotativa, vivem aproximadamente umas 250 pessoas. Há diversos prédios, de até 05 andares com habitações, cozinha, local de orações, horta, jardins, etc. Os quartos são confortáveis e, os que conheço, são de 02 camas e de 02 janelas. As camas são pequenas, confortáveis e têm mosqueteiros. Não se entra de sapatos na maioria dos lugares, principalmente os de orações e de refeições. Isso é um costume indiano e, nas lojas das cidades, é habitual ver-se as pessoas descalçando-se para entrar.

O trabalho: faz parte da vida aqui, como em qualquer comunidade, um trabalho. Todo mundo tem a sua tarefa e isso é chamado de Seva. Comecei o meu no segundo dia e era servir café da manhã às 05:45 - gostoso porque eu, dentre outras coisas, tinha a oportunidade de ver todo mundo. Após o fim das festividades, o horário de dedicação ao trabalho aumentou e comecei a ajudar, também, na cozinha, picando e descascando legumes durante a manhã e a tarde.

O corpo: o horário de dormir é bem cedo, antes das 21:00 e, o de acordar, aproximadamente às 05:00, o que dá 8 horas de sono. O meu habitual são 05 e com alguma dificuldade. Não tive tantos problemas para dormir aqui, apesar de acordar algumas vezes durante a noite. O corpo está sempre exausto ao fim do dia, principalmente as pernas e as costas. Não há cadeiras ou mesas e todas as atividades (exceto dormir e as filas são realizadas estando-se sentado ou agachado ao chão). Imagine: todas as refeições, estudar, "rezar", ouvir "palestras", descascar legumes, ir ao banheiro... Mas com o tempo, a postura vai se tornando natural. Quando pensei estar me adaptando, o trabalho se intensificou e, como estou vindo de uma fase bem sedentária no Brasil e utilizando outros grupos musculares na minha rotina em BH, as dores pioraram e veio a exaustão. Comecei a contar os dias... Querer ser uma pessoas melhor exige muito esforço e disciplina - tenho uma grande caminhada pela frente.
Para dar uma idéia do meu trabalho na cozinha e, indiretamente, da minha alimentação, nesses 14 dias eu:
- descasquei/ piquei: batata, cenoura, beterraba, cebola (3 dias depois e o cheiro continua), repolho, ervilha, couve-flor, vagem, banana, mamão verde, tomate, etc.
- tirei a ponta de vagem e miolo de pimentão.
- catei: arroz comum, arroz em flocos, feijão e cereal que nunca vi no Brasil.
- abri shapati (o pão fininho).
- lavei: faca, lona, tábua, pratão, pratinho, pia, liqüidificador, parede de cozinha.
Como os indianos são extremamente amigáveis e carinhosos (acho que também sou receptiva), a cozinha acabou virando aula de hindi e de inglês. A maioria dos indianos aqui fala inglês, mas com um sotaque todo especial, e como o meu inglês já não é lá essas coisas...
Eu, ainda, colei hologramas em livros da editora da escola de Yoga, limpei almoxarifado, ajudei a contar centenas de uniformes e roupas paz doação, etc.

As pessoas: definitivamente, o melhor da viagem está sendo a "viagem humana". No Ashram, vivem, basicamente, os monges, os alunos e os visitantes. Os alunos fazem cursos de algumas semanas a quatro meses ou são um tipo especial de discípulos, que abdicam de suas vidas habituais e vínculos e moram lá por 03 anos. Conheci e fiz amizade com pessoas incríveis como a Liz, uma canadense de coração brasileiro que estava no Ashram como visitante, assim como eu. Ela já morou no Brasil, fala português perfeitamente e sabe jogar capoeira. Teve ainda as queridas "meninas" indianas, Karuna, Sônia e Radhika, com quem tive oportunidade de conversar sobre as diferenças culturais de cada país. Encontrei muitos brasileiros especiais, como a Patrícia, brasiliense que está morando n Ashram e Ganga Dara e Agoranada, do Centro Satyananda de Belo Horizonte (proporcionaram-me emoções inenarráveis). Outra pessoa especial foi o senhor Gautam, indiano que estava de visita ao Ashram por uns dias e que, sempre que possível, ensinava a mim e à Liz o significado das expressões, dos rituais... Éramos das mais diversas nacionalidades (além das acima,búlgaros, espanhóis, iranianos, italianos, argentinos, colombianos, coreanos, suíços, australianos, etc) e a motivação para estar lá também era muito heterogênea (desde formação para trabalhar a posteriore com Yoga a gente que não sabia exatamente o que as conduziu até ali).

Fotos: banheiro, refeitório, café da manhã, almoço, situação que as mãos ficaram. Lembrando que o App do Blogger muda as fotos de ordem. As fotos continuam no próximo post.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Kk: Munger, Índia, 18 de fevereiro, 2012


Uma vez, conversando sobre memória, aprendi que, quando recordamos algo, desengavetamos uma visão/imagem/sentimento e olhamos aquilo com novos olhos, por já termos vivido outras coisas desde o ocorrido. Quando a lembrança é re-engavetada, não é mais como a "original". Fica como se fosse uma releitura. Hoje senti claramente como isso ocorre mesmo. Estar digitando algumas coisas um certo tempo depois me fez até estranhar algumas observações e colocações. Vou tentar resistir à tentação de sair modificando tudo.

Após 03 dias no Ashram, veio a vontade de voltar a escrever. Talvez a aventura maior desta viagem tenha sido chegar aqui. Para quem não sabe, Ashram é como um mosteiro e este em que estou está muito relacionado com o ensino de Yoga (filosofia de vida e não meramente uma atividade física). Como eu já disse em outro post, gosto muito (leia-se preciso) de segurança. Por isso, fiz muito esforço para conseguir transporte certo até aqui antes de sair do Brasil. Acontece que minhas tentativas foram em vão. Então, eu só tinha a passagem de avião para Delhi (capital da Índia) e de lá para Patna (a cidade com aeroporto mais próxima do Ashram). Eu tinha duas opções: vir de trem a partir de Delhi (umas 20 horas, se não atrasasse, o que é muito freqüente na Índia) ou o vôo até Patna e me virar a partir de lá e a segunda foi a minha opção. Os problemas de vir de trem eram : as estações costumam estar escritas apenas em hindi, então nunca se sabe ao certo onde está e mulheres ocidentais podem ser muito assediadas pelo fato dos homens imaginarem de nós uma liberalidade absurda.

Voar de Delhi para Patna já deu um certo frio na barriga: num vôo lotado da Índia Airways, éramos apenas umas 4 mulheres. Acabei fazendo amizade com m australiano mais velho (o segundo da viagem) que viajou ao meu lado e isso me deixou mais confortável um pouco.

Pense em um microaeroporto no meio do quase nada na Índia. Foi onde caí, quase de paraquedas. E o friozinho na barriga virou uma taquicardia (aceleração do coração) quando descobri não haver táxi oficial do aeroporto. Perguntei. Um funcionário de uma compania aérea e ele acabou me indicando um escritório de táxis próximo, mas já num prédio fora do aeroporto. Por todos os lados havia uma profusão de cheiros, calor, ruídos e gente oferecendo transporte. Achei o local indicado, contratei m taxi com ar e, aflição estava tão grande que esqueci de barganhar o preço. Tudo na Índia deve ser barganhado. Para nós, turistas, o preço costuma ser acima do dobro do habitual. O trânsito lá é um caos (vou postar no YouTube). O motorista era jovem, na dele e tranquilo e isso também me acalmou. Além do mais, abençoado seja o efeito colateral do Dramin, porque a viagem com previsão de 3 horas de duração pelo Google Maps demorou umas 6,5 horas. Tudo num trânsito sem lei e muito barulhento, num cenário de ininterrupta miséria e falta de infraestrutura. Nesse dia, não senti fome, sede ou vontade de ir ao banheiro por mais de 7 horas. Por fim, o efeito do Dramin passou e veio o enjôo, o que nem foi de todo ruim porque me deixou sem conseguir raciocinar caraminholas sobre a minha situação. Ah, eu não entendia o inglês do motorista e ele, menos ainda o meu.

Cheguei ao Ashram por volta das 19:00 e a cidade me pareceu um pouco mais desenvolvida que as demais do caminho. Fui recebida, encaminhada a quarto e, de lá, ofereceram-me participar da atividade noturna, caso não estivesse muito cansada. Fui. A atividade era algo como uma celebração, com cantos em hindi e algumas falas. Voltei para o quarto, após. Minha colega de habitação, Sankalpa*, foi muito receptiva e me explicou o funcionamento do lugar.

O Ashram tem uma rotina muito rigorosa de trabalho e de "orações" mas, os meus primeiros 03 dias foram atípicos por estarem num período festivo. O café da manhã não era muito cedo (umas 07:30) e, a seguir, íamos a um lugar fora dos limites do "mosteiro", na cidade. Nesse local, um jardim com tendas, tapetes um palanque, ocorriam diariamente os "cantos e orações", seguidos de uma "palestra". A palestra era proferida pelo guru e eram sobre sabedoria, auto-conhecimento, paz, etc. Uma característica do discurso que me chamou muito a atenção foi o fato de ser aplicável a diversas culturas e não era nada normativo ou moralista. O guru era magrinho, alto e contagiante. Quando ele sorria, eu também tinha vontade de sorrir e, quando ele discursava, parecia estar falando especialmente para mim. O caminho de ida e de volta para as festividades era feito a oé, numa caminhada de uns 10 minutos, aproximadamente. Acho que, por motivos de segurança, havia pessoas do Ashram controlando o portão e alguns pontos do caminho. O cenário era de bastante pobreza e, apesar da população ter um grande cuidado corporal e vaidade, em grande parte dela a higiene ambiental é muitíssimo precária - há lixo, esgoto e excrementos humanos por toda a parte.

* aqui a maioria das pessoas têm um segundo nome, espiritual, que traz um significado. Como o vocabulário para nomear os eventos, rituais, hierarquias, etc não me é familiar, farei uso de descrições ou termos da minha cultura que se aproximem um pouco e, para isso, colocarei as expressões entre aspas.

sábado, 3 de março de 2012

Kk: Aeroporto Indira Gandhi, 15 de fevereiro de 2012, 05:50 da manhã, cansada, pós noite em claro


Hoje completo 13 dias de viagem e, na sou supersticiosa, mas acho engraçada a coincidência: 13 também foi o dia que "pulei" no calendário por dar a volta ao mundo para oeste.

Era esperado que, em algum lugar, em algum momento desta viagem, eu perguntasse a mim mesma: o que eu estou fazendo aqui? Já de consolo me veio uma outra cena: e em cá, no sofá, de madrugada, também cansada, na compania dos gatos. Não achei ta ruim assim estar cansada na Índia. Veio-me outra cena: eu enroscada em quem gosto, de preguiça... Dissipei logo a idéia antes dos pensamentos se tornarem desesperadores.

Esta volta ao mundo é um caminho e, como todo via, e um meio e não um fim em si mesma. Quem está na estrada, pode estar fugindo de algo, deixando algo para trás e vai para um determinado destino. Hoje, não se se estou correndo de ou para, mas a força motriz foi muito violenta, a ponto de me fazer interromper tudo, vencer a inércia natural da vida e andar tão longe: serão mais de 39.000 milhas voadas - uma volta inteira ao mundo, comigo mesma.

Não acredito em destino mas, tenho achado interessante essas questões aflorarem agora, a caminho do retiro e, principalmente, longe de verdade do meu mundo familiar, do qual eu não estava realmente tão distante até agora por causa da internet.

Comecei a ler há poucos dias o livro que minha querida irmã Fernanda me emprestou: Lu no relacionamento guru-discípulo. Isso a trouxe mais para perto de mim.

Eu nunca imaginei isso: a primeira coisa brasileira da qual senti saudades foi a língua. Tenho ligado para o Brasil, mas não é a mesma coisa. O inglês indiano é mais difícil de entender, a meu ver. Só é compensado mesmo pela cordialidade deles e pela paciência, o que torna a comunicação possível, no final das contas.

O meu dia em Bangkok foi assim: primeiro, custei sair do aeroporto - a fila da imigração era interminável e, quando chegou a minha vez, fui informada que deveria ter passado pel posto médico para checar a vacina de Febre Amarela. Fui e voltei. Depois, foi simples. Segui os sábios conselhos da voz da experiência (leia-se André Amparo) e procurei o quiosque de informações turísticas. Lá mesmo contratei um city tour com motorista, guia em inglês e roteiro a meu gosto. Viajar de mochila e ficar em albergue não significa que eu não possa me dar um luxozinho de vez às vezes, né? Não foi muito em conta, mas mais barato que contratar do Brasil.

Aliás, voltando um pouco no tempo, não disse antes ter sido esse o motivo do meu estresse matinal em Los Angeles: como Bangkok tem fama de periculosidade para os turistas, de todo mund querendo tirar proveito, até de seqüestrou e alguns relatos (mais raros) de violência contra turistas do sexo feminino desacompanhadas, resolvi contratar o pacote a partir de uma operadora de Belo Horizonte. Acontece que, mesmo insistindo muito, não tive resposta a tempo. Tentei, ainda contratar alguma coisa pela internet mas, não consegui. Isto é, eu estava chegando n Thailândia com a cara, a mochila e a coragem (quer dizer, falta dela).

Fui surpreendida por uma metrópole, com vias enormes, com muitos carros caros (no Brasil, pel menos) pra todos os lados. O aeroporto já era admirável pelo porte, variedade e quantidade de lojas e portões, lounges e tudo mais. Fiquei pensando no atraso dos nossos...

Bangkok consegue ser mais sensorial que o México e a Índia juntos. Pareceu-me tão colorida (até os táxis, pink) e os cheiros... Uma volta a pé pelo mercado das flores não tem nada igual. Além disso, a alimentação deles é muito saudável e há, por todos os lados, bancas de frutas para leva ou para serem consumidas na hora.

A minha guia pareceu-me até bem a vontade. Parou para tomar café da manhã, para fazer um lanchinho na feira... Comprou umas bananas e batatas doces fritas, empanadas nessas barraquinhas de rua e acabe experimentando também. Bom... Hum... Só de lembrar deu vontade. Outra coisa simples e deliciosa é o coco verde, mas cozido no fogo e servido resfriado. A água e a fingia ficam com um sabor bem diferente.

Há, aproximadamente, uns 400 templos (mais de 90% da população é budista) e todos são de corados com muito dourado, espelhos e porcelana colorida. Eu não sabia: há um Buda (numa posição, na verdade) para cada dia da semana. Aí você olha em qual dia nasceu e o correspondente será o "seu Buda".

Dia agradável. Almoçamos em m restaurante local do gosto da guia. Local e um pouco fora do roteiro turístico. De "estranha" no lugar, só havia eu. Comida gostosa mas, não dei conta da pimenta. Eu mal sabia: na forma de comer, já estava ensaiando para a Índia. Come-se, predominantemente, com o uso apenas da mão. Quando se usa o garfo, é como acessório para colocar a comida na colher.

Ah, e já ia me esquecendo: houve as já familiares pegadinhas de turistas (aquelas paradas em lojas que você não quer, para comprar coisas super-faturadas). Outra pegadinha, desta vez, específica de Bangkok, é o passeio de barco. A guia me ofereceu e eu, após recusar por algumas horas, acabei mudando de idéia, um passeio de barco: ela o vendeu mostrando fotos de um interessantíssimo mercado flutuante. Acontece que o passeio de barco é só isso: um passeio de barco e, ainda por cima, numa parte feia da cidade. Não há mercado flutuante em Bangkok. O mais próximo fica há uns 100km de distância. Claro, tudo seria prevenido se eu tivesse feito direitinho o para-casa e estudado melhor a cidade antes de ir.

Acabei indo cedo para o aeroporto e aproveitei para tomar um banho sem preço num desses lounges que falei. Ao fim do dia, estava exausta e só não dormi o tempo todo no vôo para a India porque o casal de indianos ao meu lado, querendo ser gentis, acordou-me para as refeições.

Aliás, tenho encontrado pessoas muito gentis nos vôos e elas, de certa forma, acabam cuidando de mim. Outra situação semelhante foi no vôo Los Angeles - Bangkok. Ao meu lado, viajou o Fred. Impossível ser mais gentil e me pareceu extremamente doce, também. Jovem, mas já com filhos crescidos - uma adolescente, inclusive. Quis saber com eu estava me cuidando na viagem e deu bons conselhos. Achei interessante quando perguntei o que ele mais gostava em Los Angeles e o assunto rumou para a distância entre as pessoas naquela cidade e o quão ruim é isso.

Outra coisa que já ia me esquecendo: o serviço de bordo da Thai é imbatível!

Este último post está engraçado e, imagino, até confuso para quem lê. Fui e voltei tanto, dei tantas voltas turísticas e psíquicas que, talvez, o melhor nome seja ziguezague e não volta ao mundo. Escrevi tanto que o indiano sentado à minha frente no saguão do aeroporto não resistiu e perguntou se eu estava estudando para alguma prova!



Dica do dia: sempre vá aos mercados! Excelente oportunidade de ver e experimentar o que realmente se come em cada lugar, e por preços bem bons!
Não faça o passeio de barco de Bangkok pensando que vai ver algum fantástico mercado flutuante!